Aqui ficam as humildes reflexões de um filosofo e amante da liberdade. Amante da arte e da poesia. Amante da paz, mas que sabe que vida é uma pedra que rola a montanha, querendo parar.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
O que te esperar no ar
O amanhã chegava reluzente, brilhando na janela fazendo da escuridão um recinto para a luz.
Na cama macia ela dormia, lençóis brancos, travesseiro macio, aconchegada no silencio, das primeiras horas do dia.
Um olhar para o teto. Um nada de afeto, quem poderia, o que poderia. Quantos filmes e series vistos, e nada acontecia. Ninguém para perturbar?
Experimentou levantar, e de pé seguiu para sua cozinha vazia, tudo limpo, cada pote no lugar, sentia o ar leve, e olhara no espelho, com sua cara de seriedade, na cozinha tudo estava mais claro, a luz iluminava e deixava uma atmosfera esbranquiçada.
Preparou então seu desjejum, uma batida no liquidificador de alguma fruta e vitaminas suplementares, uma torrada com manteiga light, uma maçã partida, era tudo que queria comer, era assim seu amanhecer, até então.
Andando pela sala de estar, o silencio da casa, onde estavam os outros, não estavam, nunca estavam, saiam, iam fazer algo distante, longe de tudo, onde havia outros para interagir, para conversar. E ela estava só.
Mas queria estar só, não havia do que reclamar, afinal do que falar, o que dizer, por que não ler algo que satisfaça sua mente, seu paladar, o seu silencio, diante do mundo, afinal, também estava tudo limpo, alguém passou para limpar, enquanto ela na via acontecer, o seu sono estava garantido, e sua beleza parecia ser eterna, o tempo assim passava devagar, e estava tudo sobre controle.
Tomou seu banho, lavou-se, tudo limpo, cabelos sedosos, pele macia e cheirosa, uma roupa limpa pra cobrir seu corpo escultura, roupas leves, roupas de casa.
Olhou para a varanda, era manhã, por que não deitar sob o sol? Foi isso que fez. O sol calmamente banhava seu corpo, sua pele morena clara, ela fechava os olhos de óculos escuro, e mais nada? Aproveitou o momento de relaxamento, e tirou uma foto para internet, tinha muitos seguidores, e em segundos, muitos corresponderam, muitos a admiravam.
Mas uma pessoa estranha apareceu na mensagem, e não nos comentários, não era seu seguidor, era seu admirador. Ele havia escrito um poema, ela perguntou se era dele, ele disse que sim, e ainda completou, “sou poeta, e admiro sua beleza, é como uma inspiração para meus poemas, escrevi vários, para várias mulheres, cada uma com seu jeito único e bonito”.
Desconfie, sua mente diz, desconfie do mundo, hoje ele é estranho, pessoas bajuladoras, invejosos, e também de mal caráter aparecem, ela tinha métodos para isso, para afastar todos os maus intencionados. Ela sabia como estar longe de problemas.
Então ela não respondeu mais, e ele também não, sumiu, desapareceu.
Mas alguns meses depois ele manda um outro poema. Ela responde, por que não me segue? Mas ainda me manda poemas? Você me persegue? Ele responde que não.
Parou de falar e agora queria apenas respirar o ar de algo desconhecido.
Meses de pois o tempo mostrou que existia uma confiança no vazio que deixavam viver sem preencher.
O inesperado contato em longos dias moldaram uma atmosfera secreta. Um encontro metafisico, um imaginar de palavras não ditas.
Se ver uma vez e esquecer tantas outras horas sem nada mais além de imaginação.
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