Aqui ficam as humildes reflexões de um filosofo e amante da liberdade. Amante da arte e da poesia. Amante da paz, mas que sabe que vida é uma pedra que rola a montanha, querendo parar.
sábado, 1 de agosto de 2020
A escola se repete
Mais uma vez, todo se repete na escola, o tempo, as pessoas, os professores e as professoras. Mas será que se repete mesmo? Tanta coisa mudou no mundo fora da escola, o universo desaba e se remonta, a perplexidade no olhar de quem não vê. Os desejos sendo realizados, e outros se tornando pesadelos. Mas na escola, tudo está intacto, será?
Os professores podem ser outros, mas o que deles pode ser verdade nesse mundo cheio de dúvidas que se impõe a realidade dos fatos. Aquele amparo de antes não sustenta mais os contos do passado. As velhas ideias são mesmas velhas? Quando estão sendo repetidas exaustivamente, fazendo se valer a autoridade de um professor carcomida por pensamentos arcaicos sobre os fatores de sobrevivência da existência em sociedade.
O estado ainda arroga os detentores do saber não querendo ser, mas o sendo através das carcomidas ideias que digladiem a boa e velha ideia em que somos iguais perante deus e diferentes entre seres.
Ainda se persiste na escola com o atraso da inteligência propedêutica que estimula o ensino preguiçoso com bases curriculares comuns que se dizem modernas.
O tempo da escola é lento, pelo menos na escola do brasil. Ou de várias escolas, pode se contar nos dedos.
O professor se supondo mestre, por que está numa área onde não existe espaço para dúvidas. Eles dizem está escrito, está relatado, está feito, é isso. Não poderia ser diferente esse caminho vergasto e insensível que cria desgostos e sentimento de revolta e decadência.
Mas dizem que na escola uns se salvam.
Sim se salvam, eles se erguem na solidão, quando não são amparados com pessoas honestas e sinceras que dizem, sigam e não parem na escola, projetem-se além desta realidade vazia, e insana, de opressão por notas, de ódio ao saber, descubra os livros que te proibiram ler, os documentários que de proibiram conhecer, o pensamento da liberdade que não te ensinaram. Esses que são aconselhados e seguem esses conselhos seguem em paz e podem prosperar, já outros também se dão bem, seguindo as regras dos jogos, se esforçando ao máximo para serem peças e engrenagens da manutenção da ordem da escola, mas só que agora na administração dessa ordem que muito deseja a mesma coisa com pouquíssima diferença.
Na escola estávamos na cantina esperando o sino tocar.
Elas estavam de calça comprida apertada e nos de tênis com cores verdes, azuis, pretos e brancos. Éramos jovens com emoções e desejos que iam além das aulas de química. Não queríamos estudar, as salas lotadas, e os ar condicionados poderiam servi-nos para nos acalmar, nos apascentar, mas não era o que acontecia. O sentimento de frustação ultrapassa meus dedos, e fazia tremer minha angustia, nada que fiz ali era algo importante, eram apenas copias e copias com lapsos de euforia programada quando ocorria a superação de algum teste.
Mas existia algo importante sim, e não era o que a escola e seus métodos arcaicos e ideologizados propunham. Fiz outras coisas ao mesmo que admirava o saber distante de mim, seja na figura decadente do professor, seja nas revistas de ciências e livros que adquiria. O universo se abria em toda a sua dimensão e com o mínimo de orientação sobre a existência, o respeito, e ética, segui buscando a paz e a sabedoria. O saber era uma a ferramenta de poder, ler, escrever, pensar, criar acompanhavam minha inteligência e expansão intelectual. Não era o mesmo a cada mês, mas ainda assim dentro da escola eu era.
La na escola era a mesma habito, não havia motivação, era apenas as repetições dos receituários. Mas pode pensar que havia coisas dentro das salas relacionadas ao saber que eram fundamentais, claro, o tempo de todo não estava perdido. Havia nas disciplinas o pouco que se pudesse aproveitar. O guia básico do básico do saber, nunca foi suficiente, sempre foi quase nada, passível de ser esquecido no próximo tempo. Era o que chamam de propedêutico. Ou básico do saber. Me pergunto agora por que? Por que tem que ser propedêutico? Por que tem de ser básico, limitado, e sem tempo e com pressa para que tudo esteja arranjado para o calendário.
Acabei de escrever um pouco das minhas impressões da escola, no que tange ao ensino limitado, fragmentado, apressado e também desmotivado, como se os professores de fato só fossem cumprir seus horários, bater o cartão. Coitados, não tem culpa, não saberiam como poderia ser diferente. São ordenados a fazer cumprir a promessa de um calendário escolar. Ficam sobrecarregados, e amarrados ao conteúdo, não há estímulos constantes, mesmo que eventualmente ocorra uma emoção pela graça de uma inteligência que concebeu bem o que foi ensinado.
O sino batia e a sala fica em polvorosa euforia, e havia também que se mantivesse em sentado, esperando a hora passar, o tempo acabar, o professor chegar. Então o tempo corria para o professor, alguns da sala já haviam se dispersado pelos corredores, outros já estavam em fuga ou escondidos em outras salas ou nos banheiros, esperando o momento oportuno para escapar daquela realidade incomoda que era a sala e o professor e todos aqueles alunos. No mundo fora da escola havia muitas outras coisas para se fazer e aprender, ou mesmo para não fazer nada e somente aproveitar o dia numa passeio na praia ou casa de amigos.
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