teu futuro que graça tinha?
olhar o passado que te permitia
e agora o presente te limita
a discriminar a existência perdida
passados anos
sorveu na decadência
a alegria passageira
de horas de inconsistências
o que tinha naquelas palestras?
o que tinha naquelas rodas de conversas?
o que tinha nos braços dela?
o que tinham elas com suas pernas abertas
o beijo que derreteu a urbe solar
o fragmento da realidade com misturas de plasmas e radiações espaciais
havia um lugar para pousar depois da onda da queda que subverteu
o derrame cerebral que nunca entendeu
se fosse alma de verdade
buscaria nos olhos da cartomante alguma certeza mental
no metal dos brincos brilhantes que reluzia nas luzes cadentes das estrelas perdidas
fosse o que fosse
seu passado regurgitou
recordações esquecidas por que nunca teve
a verdade sangrenta dos seres isolados
e da violência das mentiras dos ideais falsos
e quando olha o tempo e seu contexto perdido
tudo o que soube
estilhaços de vidros de histórias mal contadas
de gente cega
que ajeitam suas próprias vendas para não verem os fracassos da existência
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