sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Perdidos no café Falava-se tanto nisso, de forma atordoante, de forma catequética, de forma onde não se dava margem para pensar. Não havia espaço intelectual para o pensamento. O pensar nesse momento era um só, um deslumbre iluminado de decadência. Para que afinal? Tudo se repetia e repetia aparentemente. Nada era diferente entre esses era a mesma questão, como acabar com tudo que trouxe a liberdade. A liberdade nesse reduto de cancros pensares, era uma coisa a ser descartada e deixada de lado era só um acordo grande entre um território e governantes, era desta que se imaginava o lugar de se morar desses cancros e feridas ambulantes. A uns anos atrás eles pensavam de forma humilde e digamos honesta mas nem tanto, afinal não se sabia o que se pensava exatamente, era por causa de um impulso estridente e moderno, soft, que abrangia qualidade de morais que se assomavam com um respeito a todos e que era fundamental, não se pode negar. Mas havia um sentido estranho que era uma parcelada de entendimento, nunca uma clareza somente uma superfície, e isso margeava cantões de concupiscência e moral, era confuso e blasfemo até que se enevoava ao ponto de não se saber o que estava obscuro. Dizer liberdade era para essas mentes, um acordo a se busca em contrato, era como se fossemos escravos e por isso precisava-se um acordo de libertação e de manifestação. Onde isso chegar? Não se sabe. Mas é previsível que suponha um regime de diversas obras de contrato, como se fossem direitos e direitos e mais direitos, até um ápice de compreensão jorrado, em cada detalhe da existência. Era patético, era nebuloso, era confuso, como algo a não ser pensado, o pensamento aqui era nulo, era uma fachada para qualquer ação confusa e prolixa, nesse habitat, os confusos e desordeiros intelectuais ganhavam proeminência ou algum credito para se ouvir, as diversas baboseiras de ideias. Mas ainda assim, tinha algo, um algo estranho para mentes que buscam certezas e algo fundamental para mentes que buscam confusão. Uma concordância ideológica que vagava na tese de que nada era nada e tudo era uma grande farsa. E assim, se fazia palmas e palmas, escritos e escritos, que enchiam cadernos e livros. E nada era nada. Não se extraia muito mas que essa convicção de que tudo precisava acabar em ruina e miséria e violência, uma verdadeira ode ao decrépito, materialista, mundano, sujo, bagunçado, violência, agressão, morte e thanatos. Ainda havia nesse imbróglio, uma nuance e paradoxal interesse em coisas do sexo, da luxuria, da perversão, por que havia aparentemente uma tendência estranha, como tudo nisso era, de que haveria libido da decadência, uma fome, uma ferida, e um prazer. Sexo nos escombros, na sujeira, e feito de forma instantânea, e as vezes também, as pressas, mesmo que ainda houvesse pausa, o mundo estava acabando e era preciso ser rápido também. O café era tomado quente, e com pouco açúcar, e tinha o efeito de causar pânico, ansiedade e angustia para melhor equilibrar as doses de desespero que era solvidas nessas linhas escritas por miseráveis vaidosos.

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