segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Queda sem fim na queda Teu olhar nublado Sua voz fria tinha um terço de paixão perdida no espaço Um olhar encantado com estrelas caídas Som que se escutava baixo Assovio no vento frio prenuncio de chuva Que na tarde veio tempestade Que longas horas para um disparo no quarto Laços cegos Cadeiras brancas Fugas em riste Uma topada na quina da brisa do céu profundo Detalhe que passou perdido em cometas Em insinuações diletantes de abraços a serem imaginados Beijos não dados Amores não amados Cama vazia sempre E travesseiros solitários Olhava o platô de um onde arvores silenciosas bramiam sutilmente com os ventos Elísios levando filas secas e insetos, cascas mortas, peles mortas, células mortas Um dialogo com o tempo O que diria? Ser e pedra e detalhe de uma alvorada abarrotada de pescadores sonâmbulos Pescando peixes de cristais E desleixos na fuga da terra para o mar Cair e não voltar A queda era um derrame de sombras Fazer o mesmo sentido de copiar e criar Tem aplausos e esnobes para o deleite vago do ego Um furo no tempo e de presente uma dor na cabeça Um remédio pode salvar E o cachorro latir sem parar Para não ser nada é preciso ser antes algo E se quiser duvidar não chegue na hora marcada. Fungar o pescoço enquanto a tempo de ela soltar aquele suspiro profundo que se houve a um dedo de distancia Ela ama Eu amo Mas que nos amamos se esquecemos de como acordar um dia desses ele tentou escrever um dialogo com a morte de cereja cada mordida dela era um dose amarga de cerveja pelo menos aos seus olhos o copo estava gelado e estava mesmo gelado bebeu e desceu para o canto inferior da casa imaginada Tudo era onírico, lembre-se, disse enquanto assoviava o canto dos pássaros gaturamo O choro ao longe da vila O riso largo da menina O frio do céu da esquina O vento soprava E a velha que costurava sempre Disse quando o gato miou Vai chover hoje E o café já esfriou e rio já passou Ela sabia o que dizia E quando falava ria das letras e seus sons na boca do papagaio Era uma graça ver as nuvens indo embora como corredores de violão.

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