Perdidos alquebrados
Que derrames de agua no poço se
ouvia?
Derrames de suco da garrafa perdida
Se ouvia também o som do riacho
Os passos cadenciados de bailarina
Saltando entras folhas gigantes de
palmeiras e coqueiros
Olhou para baixou e viu o ser
costumeiro
Presencio a mulher seminua fazendo
diques com os seios
Um outro olhar para o céu e esqueceu
o que viu
Tinha um gavião voltando com um rato
nas garras
Seria seu almoço naquele dia de sol,
vento e fúria
Ela sorria para o grilo saltitante
que saltava com ela pelos espaços
Diminuiu e crescia como átomos e
colinas
Abraçou num momento o pato macho
Deitou em outra noite com o homem no
riacho
Amou uma mulher enquanto ela fazia o
laço
Seu costume não era nada civilizados
Não tinha rumos
Não tinha lados
Era o espirito da natureza
Com sua forma doce feminina
Luz e escuridão com olhos matizes de
sépia
De pele, um dia branca em outra
morena
Amava sendo negra sorrindo ao luar
com os guaras
Soltava as folhas e corria com os
ventos
Queria um beijo quando não podia dar
Sua fúria era uma tempestade, uma
chuvarada com raios
Arrebentava com estrondos, desabava
arvores e gados
O homem solitário viu tudo aquilo da
janela do sitio
Não podia fazer nada
Ela a natureza jovem sempre
Apareceu atrás dele
Nas suas costas ela seduziu com
beijos nos ombros
Eles deitaram e se amaram enquanto a
tempestade caia
A chuva molhava o sertão
Enquanto se amavam
Ela sumiu
Para ele era só mais um sonho
Ia contar para todos até ninguém mais
acreditar
Ela ia voando agora para outro lugar
Para florestas
Mares
Campos
Montanhas
Mais outros ela ia amar
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