quinta-feira, 11 de julho de 2019


Perdidos alquebrados

 

Que derrames de agua no poço se ouvia?

Derrames de suco da garrafa perdida

Se ouvia também o som do riacho

 

Os passos cadenciados de bailarina

Saltando entras folhas gigantes de palmeiras e coqueiros

Olhou para baixou e viu o ser costumeiro

Presencio a mulher seminua fazendo diques com os seios

Um outro olhar para o céu e esqueceu o que viu

 

Tinha um gavião voltando com um rato nas garras

Seria seu almoço naquele dia de sol, vento e fúria

Ela sorria para o grilo saltitante que saltava com ela pelos espaços

Diminuiu e crescia como átomos e colinas

 

Abraçou num momento o pato macho

Deitou em outra noite com o homem no riacho

Amou uma mulher enquanto ela fazia o laço

Seu costume não era nada civilizados

 

Não tinha rumos

Não tinha lados

Era o espirito da natureza

Com sua forma doce feminina

Luz e escuridão com olhos matizes de sépia

De pele, um dia branca em outra morena

Amava sendo negra sorrindo ao luar com os guaras

 

Soltava as folhas e corria com os ventos

Queria um beijo quando não podia dar

Sua fúria era uma tempestade, uma chuvarada com raios

Arrebentava com estrondos, desabava arvores e gados

 

O homem solitário viu tudo aquilo da janela do sitio

Não podia fazer nada

Ela a natureza jovem sempre

Apareceu atrás dele

Nas suas costas ela seduziu com beijos nos ombros

Eles deitaram e se amaram enquanto a tempestade caia

 

A chuva molhava o sertão

Enquanto se amavam

 

Ela sumiu

Para ele era só mais um sonho

Ia contar para todos até ninguém mais acreditar

 

Ela ia voando agora para outro lugar

Para florestas

Mares

Campos

Montanhas

Mais outros ela ia amar

 

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