quinta-feira, 28 de maio de 2020


De mãos perdidas

Pareciam unidas as mãos juntas. De mãos atadas, de mãos que apertavam uma a outra, como numa dança antiga. Pareciam certas de que não soltariam.

Mas ao correr do tempo, aquele entusiasmo virou nada, ninguém mais estava, era uma impressão falsa de uma expectativa forjada. O céu continuou o mesmo céu no espaço. E a roda antes feita por mãos unidas se separou, cada qual agora fazia a seu modo a dança querida. Nada os parava, todos assim nessa cirando, estavam separados e independentes.

Foi observado nesse meio tempo de utopia quadros que referiam a um gesto de mãos unidas, mas era só um gesto para um dia, ou dois, ou três, mas não era para sempre.

As mãos precisavam ter mais liberdade. Mas ações. Mas que apenas uniões simuladas com o tempo que na miragem de um terro se iludia.

Elas que ali se juntavam as vezes. Que por vezes também, brindavam a injeção de carne entre as pernas, no vai e vem do falo. Cada uma tinha o seu modo de segurar as mãos. Cada uma tinha o seu modo de ufanar a vara. Elas eram independentes. E sorriam possivelmente com falsidade para que não cria.

Era um momento, um breve momento, uma crença que persistia no tempo, sabe? Aquela ideia de união para a segurança, mas desde a forma veio com um pânico, e histeria, o medo como forma, o medo do horizonte. E a verdade revelada, nada.

O mundo girou sem precisar está de mãos dadas. As vezes as mãos se encontram no baile, mas se separa e seguem com saudade. Eu lembro. Era assim, unir e separar. Separar e unir. De mãos dadas com o tempo, com o vento, a vida. E firmes também.

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