De mãos perdidas
Pareciam unidas as mãos juntas. De mãos atadas, de mãos que apertavam
uma a outra, como numa dança antiga. Pareciam certas de que não soltariam.
Mas ao correr do tempo, aquele entusiasmo virou nada, ninguém
mais estava, era uma impressão falsa de uma expectativa forjada. O céu
continuou o mesmo céu no espaço. E a roda antes feita por mãos unidas se
separou, cada qual agora fazia a seu modo a dança querida. Nada os parava,
todos assim nessa cirando, estavam separados e independentes.
Foi observado nesse meio tempo de utopia quadros que referiam
a um gesto de mãos unidas, mas era só um gesto para um dia, ou dois, ou três,
mas não era para sempre.
As mãos precisavam ter mais liberdade. Mas ações. Mas que
apenas uniões simuladas com o tempo que na miragem de um terro se iludia.
Elas que ali se juntavam as vezes. Que por vezes também,
brindavam a injeção de carne entre as pernas, no vai e vem do falo. Cada uma
tinha o seu modo de segurar as mãos. Cada uma tinha o seu modo de ufanar a
vara. Elas eram independentes. E sorriam possivelmente com falsidade para que
não cria.
Era um momento, um breve momento, uma crença que persistia no
tempo, sabe? Aquela ideia de união para a segurança, mas desde a forma veio com
um pânico, e histeria, o medo como forma, o medo do horizonte. E a verdade revelada,
nada.
O mundo girou sem precisar está de mãos dadas. As vezes as mãos
se encontram no baile, mas se separa e seguem com saudade. Eu lembro. Era assim,
unir e separar. Separar e unir. De mãos dadas com o tempo, com o vento, a vida.
E firmes também.
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