terça-feira, 21 de maio de 2019


A sonho perdido

Nessa vez que se faz palavra sua intenção como todas as outras era permanecer, incólume e invariável o sonho se apegava a existência da realidade fugidia, onde pudesse ir, seja para ficar ou partir, o sonho perseguia. O que de fato seria o tempo para o sonho perdido. Em outra hora era apenas desespero, em outra um pacientar de regozijos, mas nada lhe escapava até que decidisse ir e vagar novamente até encontrar outras palavras.

Desta vez derradeira, estava ela num copo vazio, por que lá tinha pousado e lá tinha se estendido. Variava no seu desperdício e quando assim de destilava até virar fumaça solida. Isso acontecia e atraia também sentimentos de desejo, e sempre que acontecia alguém difuso e perdido era magnetizado por esses anseios de sonhar. Trazia esperança e mais angustia, quando nada podia, trazia alegria.

Um incauto sonhador, um desses que permanecia da aquarela dos pintares, fazia sempre imagens distorcidas da realidade. Bebeu no copo onde repousa o sonho perdido, quando tomou as doses misturadas de álcool e sonho perdido. Um instante de languidez, e um soar de alegria reverberavam a mente acostumada ao som da tinta. Era provável que poderia padecer entorpecido, pois depois da primeira talagada exigia seu corpo mais e mais antíteses dos seus devaneios. Não era o que esperava naquela tarde qualquer, era uma exigência comum, mas a surpresa diluída no copo o estendeu ao furor efusivo. Em pouco tempo de bebidas no copo do sonho perdido, já havia feito amigos e inimigos.

Quem não gostava de ver um sujeito pintando o plasma dos seus olhos retinindo a alvorada da lua clara no horizonte infindo da floresta. E a quem negaria a razão disso tudo por que para si não fazia qualquer sentido.

Mas pouco importava se faria a diferença alguma na realidade. todos ali naquela comunidade faziam a sua parte até quem nem sequer se metia fazia algo necessário, seguir suas próprias vidas. Mas quando um pintor qualquer de aquarela se esfuzia a visível satisfação no ar.

Desta forma até o fim o sonho perdido, se desfez e se concretiza no olhar de aquarela desenhado no quadro. Mas ela não ficaria ali por muito tempo até que se bastasse e se desconfortasse em alguns minutos. Até a alegria do pinto se assemelhar ao horizonte distante e divagar sobre por que viver isso e se deitar.

Assim mais uma vez o sonho iria percorrer copos, livros, letras, pinturas, e todo o tipo de anseio, ou mesmo na oca toca de um índio relaxado ouvindo permanentemente o som das florestas.

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