O acaso estendido
Paragens frias em ruinais rudimentares, um descaso qualquer
com a verdade ela diria. O que derivaria sua ambição pela não encontro com a razão
apenas o desejoso lastimar de confiscar a inteligência de entrega a erros
somados. E de tão somados que são aparentam ser algo de certo.
Quando descia as escadas lembrava que não vivia bem e que não
acreditava que seria importante algum dia desses. Encarava a morte e a vida sem
olhos para isso, sem dúvidas extensas para impressionar a si. Vagar pelo irreal
e sonhar o deslinde factual da razão. Que errar no princípio já era uma saída num
lugar, no espaço do cadafalso engano sobre a própria inteligência.
Dessas ocasiões encontrou um bilhete na marcha que erguia
suas ambições. Era uma marcha fúnebre de mentiras diletas, e que sensibilizavam
o interesse das massas que persignavam suas doenças pela falsa orquestra da
vida.
Achou no chão o recado que não era para si, era para alguém perdido
como ela, mas que tocou seu coração. Estava escrito “ sonho perdido”. Ao ver
isso nada importou, o desregramento da dimensão que estava era a verossimilhança
como o próprio descaso com a insuficiência da vida.
Para entender o que havia acontecido.
Muitas horas mais a cedo, não tinha dormido bem. Pensamentos
difusos alastram sua mente, pervertendo sua memória e dilacerando sua consciência.
Enquanto isso algo acontecia nas ruas. Chovia e o noticiário alertava sobre
deslizamentos da encosta, e que o mar furioso derrubara uma ponte, com isso congestionamentos
atrasavam a vida dos comuns. Isso não era incomum, mas havia algo afetando sua
sensibilidade e arruinando seus sonhos. Era a chuva que caia? Ou mesmo o clima
travando qualquer expectativa.
Esperou até que tudo passasse, e no final da tarde depois de
passar o dia deitada, não havia mais por que não tentar. Se arrumou as pressas,
um convite havia sido feito, e comparecer com os manifestantes podia aliviar
sua tensão pessoal. Talvez era sobre isso que o cosmo lhe importunava.
Todas essas coisas e mais um bilhete perdido para alguém perdido.
Foi isso que pensou. Quem escreveria tal frase e por que? Foi preciso para e
como se fosse estilhaçado as lembranças e confrontos com a razão pudesse enfim
deslindar o mistério que lhe assolava a mente e o espirito.
Lembrou de uma conversa com um jovem desconhecido, ele tinha
lhe informado dias antes que tudo não era o parecesse ser. Era uma armação sobre
inteligência, ela se pôs a rir. Não havia como aceitar. As dores que sentiram
por outros eram mais fortes que sua razão e sentimento. Sempre poderia entender
de outra forma como um cliente de interesses rasos e não se persuadir por
qualquer dissidência.
Mas era o que estava acontecendo. Se sentia como um gado no
caminho para a morte. Se sentia como um ser desprezado que exigia um
reconhecimento do seu langor e fúria. Que nada podia contra a realidade abjeta
que concordava. Era o fim diante dos olhos escritos num bilhete.
Saiu da turba, abriu uma garrafinha de coquetel de pinga com
limão que estava guardando para o final. Um de seus amigos chegou próximo e
perguntou o que havia acontecido? Ela disse “eu não entendo mais por que faço
isso, eu não quero mais estar aqui” ele falou “beba mais isso pode ser
repentino”.
Depois que ele se foi. Um silencio tomou a existência,
tornou a beber, mas o silencio a confortou. Nada era preciso fazer agora, tudo
era inútil. Era preciso desistir e pensar novamente. Lembrou que havia muito
tempo perdido em seu caminho, sorriu e bebeu até o final, observando os
manifestantes passarem.
Ficou levemente embriagada e decidiu com um
sorriso na face descansar para sempre até o amanhã chegar.
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