terça-feira, 21 de maio de 2019


O acaso estendido

Paragens frias em ruinais rudimentares, um descaso qualquer com a verdade ela diria. O que derivaria sua ambição pela não encontro com a razão apenas o desejoso lastimar de confiscar a inteligência de entrega a erros somados. E de tão somados que são aparentam ser algo de certo.

Quando descia as escadas lembrava que não vivia bem e que não acreditava que seria importante algum dia desses. Encarava a morte e a vida sem olhos para isso, sem dúvidas extensas para impressionar a si. Vagar pelo irreal e sonhar o deslinde factual da razão. Que errar no princípio já era uma saída num lugar, no espaço do cadafalso engano sobre a própria inteligência.

Dessas ocasiões encontrou um bilhete na marcha que erguia suas ambições. Era uma marcha fúnebre de mentiras diletas, e que sensibilizavam o interesse das massas que persignavam suas doenças pela falsa orquestra da vida.

Achou no chão o recado que não era para si, era para alguém perdido como ela, mas que tocou seu coração. Estava escrito “ sonho perdido”. Ao ver isso nada importou, o desregramento da dimensão que estava era a verossimilhança como o próprio descaso com a insuficiência da vida.

Para entender o que havia acontecido.

Muitas horas mais a cedo, não tinha dormido bem. Pensamentos difusos alastram sua mente, pervertendo sua memória e dilacerando sua consciência. Enquanto isso algo acontecia nas ruas. Chovia e o noticiário alertava sobre deslizamentos da encosta, e que o mar furioso derrubara uma ponte, com isso congestionamentos atrasavam a vida dos comuns. Isso não era incomum, mas havia algo afetando sua sensibilidade e arruinando seus sonhos. Era a chuva que caia? Ou mesmo o clima travando qualquer expectativa.

Esperou até que tudo passasse, e no final da tarde depois de passar o dia deitada, não havia mais por que não tentar. Se arrumou as pressas, um convite havia sido feito, e comparecer com os manifestantes podia aliviar sua tensão pessoal. Talvez era sobre isso que o cosmo lhe importunava.

Todas essas coisas e mais um bilhete perdido para alguém perdido. Foi isso que pensou. Quem escreveria tal frase e por que? Foi preciso para e como se fosse estilhaçado as lembranças e confrontos com a razão pudesse enfim deslindar o mistério que lhe assolava a mente e o espirito.

Lembrou de uma conversa com um jovem desconhecido, ele tinha lhe informado dias antes que tudo não era o parecesse ser. Era uma armação sobre inteligência, ela se pôs a rir. Não havia como aceitar. As dores que sentiram por outros eram mais fortes que sua razão e sentimento. Sempre poderia entender de outra forma como um cliente de interesses rasos e não se persuadir por qualquer dissidência.

Mas era o que estava acontecendo. Se sentia como um gado no caminho para a morte. Se sentia como um ser desprezado que exigia um reconhecimento do seu langor e fúria. Que nada podia contra a realidade abjeta que concordava. Era o fim diante dos olhos escritos num bilhete.

Saiu da turba, abriu uma garrafinha de coquetel de pinga com limão que estava guardando para o final. Um de seus amigos chegou próximo e perguntou o que havia acontecido? Ela disse “eu não entendo mais por que faço isso, eu não quero mais estar aqui” ele falou “beba mais isso pode ser repentino”.

Depois que ele se foi. Um silencio tomou a existência, tornou a beber, mas o silencio a confortou. Nada era preciso fazer agora, tudo era inútil. Era preciso desistir e pensar novamente. Lembrou que havia muito tempo perdido em seu caminho, sorriu e bebeu até o final, observando os manifestantes passarem.
Ficou levemente embriagada e decidiu com um sorriso na face descansar para sempre até o amanhã chegar.

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