sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Um encontro Era de tarde e ela mi ligou querendo me ver, eu estava cansado, mas a tentação era grande, eu sabia o que ela queria. Ela morava só, havia se mudado recentemente, e sabia bem o que queria, era professora de jovens, mas já estava de férias. Conheci ela na faculdade, estávamos juntos, ela era jovem e magra, não era nada atraente, mas agora havia se tornado uma mulher, e eu estava numa faze de bêbado, desde a faculdade, a revolta era um domínio em minha mente, mas agora mais adulto a paz reinava, fazia o que tinha que ser feito, trabalhava de bicos, e havia épocas boas, e a sorte veio, ganhei um carro usado em bom estado, eu podia me mover, e gastar meus rendimentos com gasolina. Ela se mudou para perto, no começo foi relutante, não queria, ainda tinha a velha imagem de mim largado na sala, e discutindo ideias com professores, ela não era assim, minha bagagem intelectual não era igual a dela, lia coisas que não estavam nas ementas sugeridas, era um outsider e isso afastava as pessoas, eu não ligava, as bebidas me animavam a andar com a solidão. Então o milagre da internet, ela apareceu, eu fui, precisava de algo, de um lago de paz, e encanto, de uma visão mais sublime da vida, de um corpo feminino, uma mulher nua e bela na minha frente. Conversei com ela, e tentei, foram meses, até que ela me deu seu telefone. As mulheres sempre me inspiraram, mas eu estava quieto, uma doença me paralisou, quero dizer, me deixou sem animo para conquistas, era por causa das bebidas, gastrite, esofagite, essas cosias, dores, elas nos alcançam. Mas com um tratamento adequado me fez melhorar, a minha vida ganhou folego. Nos encontramos, e meu instinto animal selvagem sexual, já queria o melhor dos encontros, mas minha mente racional freio, foi importante não fazer nada. Se ousasse eu poderia perder, mas a conversa compensou, ela gostou, sorriu, e me deixou pegar em suas mãos, abracei e pude dar um cheiro em seu pescoço e ali senti que poderia avançar, não avancei, abracei e segurei, fiquei, ela gostou, sorriu, deixei ela na sua casa, então novamente um abraço, e dessa vez tirei um beijo dela, foi bom, era um sinal verde, para bons encontros. Na segunda vez, decidi que tinha que ser, era preciso consumar, experimentar estar dentro, ela estava afim, eu também, havia desejo, havia querer, então dois adultos se consomem. Meu respeito a ela, e seu respeito a mim, dinheiro não nos faltava, o suficiente para irmos a um quarto, dar o melhor de si. Fomos, eu pedi para que ela usasse um vestido de flores, que ela tinha, havia visto numa de suas fotos na internet, ela ficava linda, ela usou e também estava usando tranças, ficou mais perfeita. Minha mente já projetava uma noite deliciosa. Me arrumei com as roupas limpas que tinha. Lavei o carro, e mandei mensagem, ela respondeu quase de imediato, eu fui. Encontrei com ela na esquina de sua rua, ela estava perfeita, levei ela até um lugar onde tinha suco, mas antes havia oferecido cervejas, ela disse que não estava muito afim, queria estar mais leve, eu concordo. Esse meu mal costume de ficar bêbado para fazer coisas, adorava cervejas geladas, era uma sina. Mas tomamos suco, escolhi de beterraba e ela de laranja. Bebemos devagar nos olhando. Havia encanto em seu olhar, e ao tocar suas mãos, elas estavam macias e perfumadas. Como podíamos estar ali namorando. O que era essa força misteriosa que nos impulsionava a estar ali, como um casal apaixonado. Mesmo que não estivesse apaixonado, era um prazer enorme poder ter a companhia de uma doce mulher. Conversamos um pouco sobre história, sobre o mundo cotidiano, a realidade e as coisas do momento, ela ria de minha opiniões e piadas, e era bom a descontração. Sem pesos, e angustias, apenas o passar doces dos minutos atiçando a chama sexual de nossos corpos carente de sexo. Ela estava carente e eu também, era por isso que estávamos juntos para saciar nosso desejo. Em nossa juventude não aproveitamos, mas agora era o momento. Também me perguntou, como eu sobrevivia, disse que também dava aulas, e fazia trabalhos manuais. E que escrevia e vendia meus textos na rua, disse que num primeiro momento aquilo não pareceria certo, mas o esforço continuo, e trabalho rendiam alguma coisa. Ela havia dito que estava magro, realmente estava comendo pouco, e a doença que me afetou me fez ter outro tipo de dieta. Conversamos então sobre ter uma vida saudável, e sobre beber pouco, coisas assim e de leituras atuais. Lembrou que na faculdade eu era radical, e disse que gostava, mas me via andando solitário, bêbado, e nunca pensaria em ter relações serias comigo, disse a ela que concordava, nem eu mesmo. A vida em outro tempo era aparentemente confusa, é verdade que há leituras e influencias que modificam nossos interesses. E a convicção de que se estar certo, mesmo estando errado. Fez bem em não ter se envolvido, meu caráter era o mesmo e minha ânsia era outra. A angustia era maior, e agora nem tanto. Tinha calma, mesmo que naquelas épocas houvesse flertes com o budismo, era uma sina, buscar a paz interior, mesmo no caos que a ansiedade promovia daquele ambiente por vezes estranho. Saímos em silencio para o carro, coloquei um bom rock no carro, e fomos indo pela avenida. Vimos um motel, fomos, entramos no estabelecimento, no pátio seguimos de carro até um quarto vazio, ela saiu, e diante da porta nos agarramos, entramos. No quarto, nos agarramos mais, era intenso o desejo que tínhamos, seus seios fartos eram lindos, sua pele morena macia e cheirosa, ela acariciava minha cabeça. Eu já estava sentado na cama beijando seus seios, pegando em sua perna, apalpando até sua bunda, era gostosa, e ela gemia. Deitei na cama, ela tirou minha bermuda, e me chupou, ela era linda, disse que adorava fazer, e que fazia tempo, mas fez perfeito. Nesse momento eu já pensava, ganhei a noite, ganhei a semana. Ganhei uma mulher para transar bastante. Fizemos tudo, e tudo saiu perfeito, com muitos beijos e tensão, paramos as vezes para recuperar o folego, era natural, havia muito desejo em nos, era preciso controle, se não a noite poderia acabar, chupei ela também, consumamos o nosso sexo. Era o que queríamos. Os corpos se atraem, se desejam, buscam brechas para seus apelos amorosos, observam detalhes, forjam ideias, projetam planos para suas emoções. Ela e eu, não era anormal. Mas tínhamos mais certezas que antes, erámos adultos e cumplices de uma saída, de um namoro arranjando por interesses forjados em instantes em momentos propícios, de acordos mútuos. Não havia outra mentalidade. Podia ser questionado o que queríamos de nossas filosofias particulares, de nossos obscuros desejos que são outros que não são sexo. De outras ideais para conquistar o mundo, sonhos que vacilam na realidade, sonhos que se realizam pela metade. Obedecer ao desejo saudável do corpo e da alma, mas não tínhamos pressa de jovens. Estávamos seguros de poder nos abandonar a qualquer hora e isso nos motivava a tentar permanecer ao máximo, ao consumo de nos. Talvez não voltássemos, mas tínhamos tudo para voltar. Por que tudo estava pronto para mais.

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