Terror qualquer
De uns meses para cá fui assomado a percepção fatalista da existência,
mas não fiz isso voluntariamente, fiz isso com a colaboração de programações que
me induziam crer que o mundo estava caminhando para o caos iminente.
Então minha mente começou a assimilar essas projeções catastróficas,
ao ponto que não conseguia mas dissuadir da realidade essas imagens do fim,
fazendo com que minha existência ficasse cada vez mais perturbada. Além de
ficar em estado de pavor e atenção constante, ainda havia a intenção metal de
superioridade, tendo que poucos sabia do que se tratava o fim iminente da civilização.
Quando andava nas ruas para fazer alguma coisa, meu
comportamento era outro, o que havia em mim era um temor e sentimento de
derrota, “o mundo vai acabar” e o que poderia fazer.
Observava a existência comum e as pessoas seguiu pacificas,
mas era estranho pois mesmo assim eles também tinham algo de estranho nas suas ações.
Será que era não era só eu que estava alucinado. Talvez eles estivessem nos
seus recintos também observando esses tipos de mensagens, e com medo de tratar
em público conversavam isolados sobre esses assuntos.
A verdade é que havia uma atmosfera de temeridade que estava
pouco a pouco grassando a alegria e a verdade.
É importante pensar que esses sentimentos de desgraça não eram
incomuns, todos anos surgia alguma coisa a se temer. Mas nos anos passados a
ideia sobre esse pânico tomou proporções alucinantes, muito devido a ampla divulgação
de teses, imagens e vídeos, que assim promovia esse pânico.
Também havia quem pessoas que não se importasse com isso. Pessoas
que quando alarmadas diziam, isso é coisa para nos deixar estressados. Para nos
deixar em pavor. Para que medidas centralizadas possam ser implementadas a fim
de pacificar o povo.
Então havia na sociedade esses crédulos e incrédulos. Eu estava
entre os que acreditavam. Observava vídeos catastróficos, e pessoas que
estudavam assuntos diversos, alertando para a violência que estaria por vir. Mas
então comecei a ouvir outros também, aqueles que diziam que era apenas temeridade
desnecessárias, e esses pareciam ingênuos, e descrentes da miséria humana, ou
melhor, acreditavam na miséria, mas há que pudesse ser superada.
Mas ao mesmo tempo observava nos que divulgava o temor, o
alerta sobre forças ocultas que se expandiam sobre a existência, forças essas além
da compreensão, controladores das economias, e divulgadores propagadores do
caos, e que não pareciam ser meras coincidências. Estava acontecendo neste período,
diversas ondas de agressão. Era o que se divulgava, a miséria e o sofrimento
muitas vezes eram explorados pela mídia, e poderia haver pessoas com dinheiros
bancando essas ondas de temeridade e pânico. Como disse, a mídia comercia, aquela
mídia, que divulgava nas televisões e jornais, tinha interesse em criar essa
atmosfera de pânico? Ou eram apenas relatoras da história contemporânea.
Então comecei a ter náuseas, e sonhos estranhos. Pesadelos de
mortes, corpos, pobreza e miséria. A minha mente estimulada pelo pânico, e o vício
que vinha absorvendo fizeram meus pensamentos produziram esse mal-estar em meu
corpo e mente.
Em uma noite que chovia bastante. E os pesadelos tomavam
minha mente, meus sonhos de desgraça e o suor frio, eu não acordava. Uma sufocação,
aperto no peito, o terro na minha imaginação. O mundo desabando, e o controle
da vida nas mãos do governo, o estado reprimindo as manifestações, corpos no chão,
pessoas sofrendo. O dinheiro não valendo nada, nada para comer, as prateleiras
vazias, decadência e ruina da civilização.
Acordei as três da madrugada, e a chuva era pesada, uma
tempestade que caia e raios que também estouravam com seus trovões. Tomei um
copo d’água e sentei, próximo da janela observando o tempo, a chuva fazia seus reflexos
na luz, até que faltou a energia.
No escuro somente o céu com seus raios e trovões brilhavam. As
vezes caiam raios que fazia tremer o chão. Pensei que o fim de mundo estava se
aproximando e que aquilo, aquela tempestade era o seu preludio, que no
amanhecer o terror estaria instalado.
Então, uma forte vertigem me abalou, e me fez tombar.
Acordei, com a TV ligada, e chiando em um canal fora do ar. Chovia,
mas não com a força que tinha durante a noite. Sentei, e pensei que deveria
para de pensar e que deveria voltar meus estudos e trabalho para coisas menos catastróficas,
pensei que agora era desnecessário pensar em cataclismos, que deveria me
preparar, me munir de certezas e de habilidades, de um pensamento calmo, para
que o terror não me levasse a cometer erros involuntários.
A lição que tirei dessa aventura dos pensamentos catastróficos,
é que as ideias obsessivas podem nos tornar frustrados, e autodestrutivos. E que
poderia ser outra pessoa, mas otimista, e menos preocupada e que poderia estar
aliando meu tempo a afazeres e a liberdades de ações. Os pensamentos quando são
condicionados para a decadência faz com que nos tornamos decadentes, e sorumbáticos.
É preciso dividir, é preciso saber diferenciar a realidade, e entender como
funciona as ligações.
Enquanto a TV que estava ligada, ela deve ter ligado quando
voltou a energia. E por estar num canal fora do ar, era provável que as
emissoras ainda não tinham ainda ligado.
A humanidade está em transição, quando antes não tínhamos conhecimentos
difundidos dessa forma, quando não tínhamos inteligências ampliadas, ficávamos a
mercê de poucos meios de informação, e poderia ser que o terror era amenizado,
ou não. A verdade é que a realidade não mudou, as pessoas continuam a viver à
sua maneira, e evitando sempre que possível o conflito, pelo menos aqui, a
evitar a catástrofe. E essa é a razão pelo qual ainda estamos nos mantendo
civilizados.
Aconteceu ao meu ver, a quebra de um paradigma antigo, o paradigma
do monopólio da informação e do saber, o mundo, ou melhor, a percepção ampliada
do mundo agora estava divergindo contra uma massa de inteligências não programadas,
que desvinculadas agora, poderia quebrar o monopólio das mentes e com isso,
promoviam o caos no imaginário. E que por sua vez enfrentava um problema de relações
com o grande público que agora aprimorava seus saberes individuais.
