sábado, 24 de outubro de 2020

Quando a arte morreu A arte não morreu, ela esta viva em algum lugar, em espaços abandonados da mente, ou em territórios restritos da inteligência. É ousado dizer que morreu se algo assim é impossível de desvanecer, é derradeiro saber que até mesmo entre seus restos e escombros ainda se observa arte nos seus pés, no lixo, nos monturos, onde a falta ou onde não há nada. A arte existe me qualquer forma, seja bela e horrível, é o que dizem, e assim ela persiste, as vezes mais feia, e medíocre, por vezes mais bela e maravilhosa. Quando sabem, quando experimentaram continuar e persistir a arte se refez mais sabia, inteligente, coerente, bela, tocando cada detalhe que a forma o substrato da alma, formando ao espirito uma cadencia de beleza que marca e que inspira. E para isso é preciso que haja vontade, que aja interesse, e mesmo nesse interesse se pode através dele buscar o comum extrato de absurdos. Como escrevi, até o que é tosco, ou melhor precisamente tosco existe arte. Quero dizer que quando se faz uma arte que busque ser algo estranho e por isso requintado, se distingue em criar algo em detalhes de confusão. Isso é uma arte. Mas arte como é, não se limita, é uma ação, uma fazer na busca de ser perfeito em qualquer atividade, não está apenas na mão de pinto ou do artista como comumente conhecemos, está na fazer que se faz e que se desenvolve, e se melhora, buscando sempre a perfeição, mesmo que em certas condições ela se limite apenas aquilo que é, ou que se tornou. A ser humano assim, desenvolve a arte individualmente, em seu espirito ele busca ser um ator pessoal, ou alguém honesto e que sabe algo, e faz algo, cria também quando deseja, e reconhecido por isso, talvez por grandes plateias, ou mesmo entre si mesmo. A arte pode morrer? Não pode. Mas quando ela não inspira ela apresenta um caminho para seu abandono. Ela precisa tocar o espirito para viver, para enternecer, para então ser provada perante a existência de que é por excelência. Alguns artistas morrem com sua arte, outros não ensinaram o suficiente, e por isso conduzem a uma enigmática decadência. O mundo pode abraças as artes. Mas que artes? Existem inúmeras. Cada uma distinta, outras até pop, e que não morrem até que se troquem.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Saber? O que? Pela metade do rio se embarca na areia O senso passou sem ver O que podia acontecer Péssimo? O que era frugal aos seus olhos era volume em espécime De vida podre e rica de nobreza a ser vivida O amanha aconteceu Sem você perceber Cada dia em silencio O que podia encontrar As fabulas dos insanos na rua Do medo e do ataque Quando as estrelas caíram não foram mais estrelas Cuidado com os caminhos incertos É provável ser um cometa em suas mãos Ou uma estrela luminosa a se apagar O que tinha esses sons Um toque atrás do outro Um gemido em cima do outro Batidas e batidas enquanto caia o estado Queimando os animais vivos E os sonhos perdidos De um lugar abandonado na distopia do medo Acreditar que quebrando as regras vai mudar? Vai ser o quadrado absurdo do delírio de um nobre imundo O que mais poderia contar? O que tinha em mãos enquanto se fez provocar Apenas os sinais de decadência em apelos constantes É sabido que é miserável sábio Escrito em misericórdia de hipócrita Violência ao sol quebrado e escuro Depressão é uma porta aberta bem ali O sonho de morte qualquer um alcança Só não vive quem não quer É tudo sorte e esperança Tudo acaso de deleite Um mero sujeito de astrais arrogâncias O coliseu fechou com seus olhos abertos E a lagoa que visitou continua a mesma até que deseje ser Uma lagoa perdida no espaço

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Passados estranhos Nunca se viu o que aconteceu no passado, não se tem ideia do que se viveu naquelas épocas, o que se sabe é que algo aconteceu e o que sabemos ainda não nos é suficiente para entender os fatos, momentos, relatos e recordações. O passado é um mistério, é por se assim ainda há que os proteja e que os ludibrie, existem ideias de força que se movem através de planos e teorias, apenas detalhes do todo, algo em torno de esquecimentos voluntario, páginas esquecidas e rasgadas, fundamentos refeitos para agradar interesses escusos. Quem afinal deseja que algo não seja dito, que algo não seja revelado, ou talvez seja por que há tanta, tanta coisa ser dita, que por ser tão vasta é esquecida, obliterada e abandonada. Essas lacunas, esses espaços abertos por onde não ser passa a inteligência, da raiz a incoerência, e o que ocupa esses espaços são sentimentos, são emoções, a ignorância também é romântica e usada de forma perversa ergue petulantes revoltas, e que podem ser destrutivas, dando força assim a apelos de oradores emocionados que esbravejam contra o que não se sabe. Quem tem o interesse em esconder as leis da vida, e também tem interesses em ludibriar o que é certo, correto, bom e saudável. Se formulam ideias e projetos em meio ao caos, a desordem, a degeneração, e daí se planejam teses, do bem e do mal, por algo aconteceu, algo fez-se tornar na realidade, algo era preciso acontecer. E por isso algo deve ser questionado. Se retira das ruinas reflexões do passado, não se esquece o passado, é preciso coragem para saber o que deu os motivos dessa ruina, é preciso ser sábio para distinguir no tempo aquilo que prejudica e que maltrata, e como tudo no tempo algo aconteceu, que degradou, de alguma forma, espiritual, moral, econômica, individual, coletiva. E nessas circunstancias se forjam ideais de revolta, ideais que busca a manutenção da paz, da ordem, da harmonia, da virtude, não se é possível viver na decadência por muito tempo? Com todos nossos estudos e saberes, já se pode dizer que sim. Que tal viver sendo enganado? Ser ludibriado diariamente, vendo nada acontecer, vendo o mundo desabar, vendo a vida ruir, estando desarmado, mas envolto de prazeres passageiros e instantâneos, e romances sexuais, o sonho apaixonado de um amor, um desejo de prazer para esquecer os apelos da realidade sobre a vida na ilusão. Como ter conhecimento, se está difícil ler, se está difícil encontrar motivos para a mudança. E assim nada muda, a história tem seu lado ocultado, o conhecimento e o saber obscurecido. O poder determina o que quer ser para si, é o próprio poder que define suas regras, ele precisa de escravos, de pessoas subjugadas de forma decidida, que não reclamem a sua condição de enganados. É preferível ter prazeres. O poder divide e assim tem mais força, ele ataca as trivialidades, ele colabora com teses sobre separar, se não se pode juntar então se segrega, até o limite através do ódio. Enquanto dormem armados, e bem acomodados. O poder dá a entender que dá a outros a possibilidade de mudança da realidade, até da, mas com a condição de que não se toque em seus termos, mas mesmo assim que saberia, se a história já está esquecida, e o saber dividido e os interesses programados. Está tudo como planejado. Assim a história serve a uns poucos, aqueles cujos interesses não querem perder. O resto, é ideia, e história manipulada para dá entender sobre algo limitado, e os que se aproveitam dessa história limitada pouco sabem, pois já estão divididos em interesses românticos. Existe uma história estranha no passado, mas para saber é preciso muito, um esforço para sair da realidade forjada do mundo como nos contaram, cheio de paixão essa história é romanceada. E pouco logica, ludibria a inteligência, a razão e o amor. Ela promove a discorda, a violência e a degradação. Para que assim, fiquem no topo aqueles que escondem a verdadeira história.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Um encontro Era de tarde e ela mi ligou querendo me ver, eu estava cansado, mas a tentação era grande, eu sabia o que ela queria. Ela morava só, havia se mudado recentemente, e sabia bem o que queria, era professora de jovens, mas já estava de férias. Conheci ela na faculdade, estávamos juntos, ela era jovem e magra, não era nada atraente, mas agora havia se tornado uma mulher, e eu estava numa faze de bêbado, desde a faculdade, a revolta era um domínio em minha mente, mas agora mais adulto a paz reinava, fazia o que tinha que ser feito, trabalhava de bicos, e havia épocas boas, e a sorte veio, ganhei um carro usado em bom estado, eu podia me mover, e gastar meus rendimentos com gasolina. Ela se mudou para perto, no começo foi relutante, não queria, ainda tinha a velha imagem de mim largado na sala, e discutindo ideias com professores, ela não era assim, minha bagagem intelectual não era igual a dela, lia coisas que não estavam nas ementas sugeridas, era um outsider e isso afastava as pessoas, eu não ligava, as bebidas me animavam a andar com a solidão. Então o milagre da internet, ela apareceu, eu fui, precisava de algo, de um lago de paz, e encanto, de uma visão mais sublime da vida, de um corpo feminino, uma mulher nua e bela na minha frente. Conversei com ela, e tentei, foram meses, até que ela me deu seu telefone. As mulheres sempre me inspiraram, mas eu estava quieto, uma doença me paralisou, quero dizer, me deixou sem animo para conquistas, era por causa das bebidas, gastrite, esofagite, essas cosias, dores, elas nos alcançam. Mas com um tratamento adequado me fez melhorar, a minha vida ganhou folego. Nos encontramos, e meu instinto animal selvagem sexual, já queria o melhor dos encontros, mas minha mente racional freio, foi importante não fazer nada. Se ousasse eu poderia perder, mas a conversa compensou, ela gostou, sorriu, e me deixou pegar em suas mãos, abracei e pude dar um cheiro em seu pescoço e ali senti que poderia avançar, não avancei, abracei e segurei, fiquei, ela gostou, sorriu, deixei ela na sua casa, então novamente um abraço, e dessa vez tirei um beijo dela, foi bom, era um sinal verde, para bons encontros. Na segunda vez, decidi que tinha que ser, era preciso consumar, experimentar estar dentro, ela estava afim, eu também, havia desejo, havia querer, então dois adultos se consomem. Meu respeito a ela, e seu respeito a mim, dinheiro não nos faltava, o suficiente para irmos a um quarto, dar o melhor de si. Fomos, eu pedi para que ela usasse um vestido de flores, que ela tinha, havia visto numa de suas fotos na internet, ela ficava linda, ela usou e também estava usando tranças, ficou mais perfeita. Minha mente já projetava uma noite deliciosa. Me arrumei com as roupas limpas que tinha. Lavei o carro, e mandei mensagem, ela respondeu quase de imediato, eu fui. Encontrei com ela na esquina de sua rua, ela estava perfeita, levei ela até um lugar onde tinha suco, mas antes havia oferecido cervejas, ela disse que não estava muito afim, queria estar mais leve, eu concordo. Esse meu mal costume de ficar bêbado para fazer coisas, adorava cervejas geladas, era uma sina. Mas tomamos suco, escolhi de beterraba e ela de laranja. Bebemos devagar nos olhando. Havia encanto em seu olhar, e ao tocar suas mãos, elas estavam macias e perfumadas. Como podíamos estar ali namorando. O que era essa força misteriosa que nos impulsionava a estar ali, como um casal apaixonado. Mesmo que não estivesse apaixonado, era um prazer enorme poder ter a companhia de uma doce mulher. Conversamos um pouco sobre história, sobre o mundo cotidiano, a realidade e as coisas do momento, ela ria de minha opiniões e piadas, e era bom a descontração. Sem pesos, e angustias, apenas o passar doces dos minutos atiçando a chama sexual de nossos corpos carente de sexo. Ela estava carente e eu também, era por isso que estávamos juntos para saciar nosso desejo. Em nossa juventude não aproveitamos, mas agora era o momento. Também me perguntou, como eu sobrevivia, disse que também dava aulas, e fazia trabalhos manuais. E que escrevia e vendia meus textos na rua, disse que num primeiro momento aquilo não pareceria certo, mas o esforço continuo, e trabalho rendiam alguma coisa. Ela havia dito que estava magro, realmente estava comendo pouco, e a doença que me afetou me fez ter outro tipo de dieta. Conversamos então sobre ter uma vida saudável, e sobre beber pouco, coisas assim e de leituras atuais. Lembrou que na faculdade eu era radical, e disse que gostava, mas me via andando solitário, bêbado, e nunca pensaria em ter relações serias comigo, disse a ela que concordava, nem eu mesmo. A vida em outro tempo era aparentemente confusa, é verdade que há leituras e influencias que modificam nossos interesses. E a convicção de que se estar certo, mesmo estando errado. Fez bem em não ter se envolvido, meu caráter era o mesmo e minha ânsia era outra. A angustia era maior, e agora nem tanto. Tinha calma, mesmo que naquelas épocas houvesse flertes com o budismo, era uma sina, buscar a paz interior, mesmo no caos que a ansiedade promovia daquele ambiente por vezes estranho. Saímos em silencio para o carro, coloquei um bom rock no carro, e fomos indo pela avenida. Vimos um motel, fomos, entramos no estabelecimento, no pátio seguimos de carro até um quarto vazio, ela saiu, e diante da porta nos agarramos, entramos. No quarto, nos agarramos mais, era intenso o desejo que tínhamos, seus seios fartos eram lindos, sua pele morena macia e cheirosa, ela acariciava minha cabeça. Eu já estava sentado na cama beijando seus seios, pegando em sua perna, apalpando até sua bunda, era gostosa, e ela gemia. Deitei na cama, ela tirou minha bermuda, e me chupou, ela era linda, disse que adorava fazer, e que fazia tempo, mas fez perfeito. Nesse momento eu já pensava, ganhei a noite, ganhei a semana. Ganhei uma mulher para transar bastante. Fizemos tudo, e tudo saiu perfeito, com muitos beijos e tensão, paramos as vezes para recuperar o folego, era natural, havia muito desejo em nos, era preciso controle, se não a noite poderia acabar, chupei ela também, consumamos o nosso sexo. Era o que queríamos. Os corpos se atraem, se desejam, buscam brechas para seus apelos amorosos, observam detalhes, forjam ideias, projetam planos para suas emoções. Ela e eu, não era anormal. Mas tínhamos mais certezas que antes, erámos adultos e cumplices de uma saída, de um namoro arranjando por interesses forjados em instantes em momentos propícios, de acordos mútuos. Não havia outra mentalidade. Podia ser questionado o que queríamos de nossas filosofias particulares, de nossos obscuros desejos que são outros que não são sexo. De outras ideais para conquistar o mundo, sonhos que vacilam na realidade, sonhos que se realizam pela metade. Obedecer ao desejo saudável do corpo e da alma, mas não tínhamos pressa de jovens. Estávamos seguros de poder nos abandonar a qualquer hora e isso nos motivava a tentar permanecer ao máximo, ao consumo de nos. Talvez não voltássemos, mas tínhamos tudo para voltar. Por que tudo estava pronto para mais.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Pegue essas verdades e as jogue-as na parede e diga, são falsas! Nada existe e tudo é uma ilusão dirá consigo enquanto traga um copo de café quente se queimando leve na língua. Como pode existir dor, que mundo é esse de dor, de arrogância travestida de humildade, essa vontade de fazer o bem, mas fazendo o errado em cama macias, e campos de flores, planto minas, e bombas remotos que estouram em vinte anos, todos saem decepados, muitas vezes são mãos, pernas e crânios, saem aos pedaços rogando misericórdia a quem se compara com parte diferentes das suas, os que souberam carregar o fardo da existência sem seus membros, quaisquer que tenham em pedaços. A verdade está decepada em migalhas menores e cada vez menores, quem entendera as vozes que gaguejam palavras soltas em dilemas de angustias sobre a vida em frangalhos? Os que sabem e que não se importam seguem, aprenderem a cooperar entre si, a fazer algo além de si, a seguir sem serem incomodados, mas desses não a espaços nessas linhas, são os decepados que estão descritos na carga volumosa da existência, esses que arrecadam memorais, frases, e cantos de subsistência do espirito, mas sempre começam errando, fazendo erros, por que alguém ou alguma coisa quer que façam mesmo não sabendo que os problemas ali no começo só aumentam, por uma boa causa. Como ignorar o campo? É possível ignorar, é possível deixar e fazer um lugar melhor em meio ao quadrado ao seu redor. É deixar, e esquecer que façam a destruição sua ruina, levantar e limpar, ler, escrever, amar. Mas chega horas de caos, absurdos da existência batem a porta, escancaram o medo, a angustia, o temor do terror imaginado, e o que se faz? O anuncio de esquizofrenias em ruas e pesadelos, martelando ideais frágeis, e mortíferos, podemos ser iguais? E podemos consertar o mundo com ideias? Que tal ensinar nas escolas e seguir autoridades frágeis e ambiciosas, o sangue corre na veia de cada, todos morrem. As veias latentes de emoções decadentes, amar, transar, perder e ganhar, uma vitória de cada vez, um pesadelo de cada vez, um sonho a ser desmitificado de cada vez, um desejo realizado, ela nua, o livro terminado, não estar na guerra é necessário, fugir enquanto possível, experimentar enquanto prazer, decadência para erguer o martelo da frase de cada dia. Uma noite fui ver ela. Esta escura sua rua, mas do que comum, eram as nuvens cobrindo o céu era a falta de estrelas também, eram as luzes apagadas nas esquinas, o nada de animal algum sem estar ali perambulando.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Até quando? Alegrei de te ver passar aqui como vai você? Fazia tempo que não te via e nem sabia se existia, faz mesmo muito tempo. O universo citou algo entre estrelas e espelhos, pensar o que diria o andarilho esfaimado, com dores leves no dedo. O termo esta escrito viver e vera, e que quem derrubar os muros serão ainda assim reis de escombros. Não há como fugir, e essas palavras só existem aqui, e dependera do esforço mental para sua materialização. Como começar? Num primeiro momento temos tudo entregue e possível, como dizem, está tudo aí. Está tudo dado, é só pegar, mas é mesmo só pegar? Na verdade não da para pegar, não da para levar, é difícil é pesado, e não se ha interesse ao que se deve ser levado, tudo parece perdido e estranho, não serve a todos, e serve apenas a uns poucos, mesmo que pareça que sirva. A dor é mais interessante aparentemente. Quando se esta submerso e não se ve a luz do dia com clareza a nuvem que cobra da iluminação é a maior certeza, e essa não se afasta de qualquer inteligência. Mas como saber se o dia poderia ser melhor se as sombras que se projetam das coisas ainda apaziguam o espirito em decadência. O tempo era uma pedra no caminho, quem chutaria? Que saberia que essas preciosidades no meio da rua era um tesouro valioso e belo esquecido. As propagandas funcionam Elas levam os interesses particulares a distantes esferas e dimensões da realidade, afetam a imaginação, encantam o espectador, ludibriam a mente, ninguém é péssimo para ser um possível ditador de regras que inibem a realidade, tudo existe e esta dado, entregue a quem sabe, a faz, de forma sabia ou estupida. Quem teria autoridade sobre mentes para determinar quem poderia, um dia se pode ser mendigo e fazer o ar em torno se contorcer, e um dia pode se ser um dom juan e fazer o trilho descarrilhar, quem saberia? A mente se exercita e se expande quando encontrar meios para isso, caminhos para se expandir, trilhas para levar o espirito da inteligência a esferas e dimensões distantes e sabias. O ser esta programado para isso, porem também estar programado para não ser nada. Há um confronto com a realidade da existência humana, o ser se acaba, e quando pensa nisso se afasta da inteligência, e abraça a decadência, o mundo se perde, nada se controla, há um afastamento da vida, o ser é dominado pelas convenções materiais, é preciso não ser, mas ter, sempre ter? Há algo errado em ter? Não há nada errado, é natural, e subjaz com a existência, o apreço por algo que valha a pena ter, para saciar suas dificuldades e promovam lazer, mesmo que instantâneo, mas mesmo o que dura também é importante. E quando o espirito é forçado a uma condução negativa da existência, ele agora se contrai em si, e promove assim a angustia e lamentação. O vazio está nas coisas, por que essas podem deixar de existir, e a vida também é essa coisa, esse objeto? Ela também vai deixar de existir, e pensar nisso causa náuseas. Continua...

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Queda sem fim na queda Teu olhar nublado Sua voz fria tinha um terço de paixão perdida no espaço Um olhar encantado com estrelas caídas Som que se escutava baixo Assovio no vento frio prenuncio de chuva Que na tarde veio tempestade Que longas horas para um disparo no quarto Laços cegos Cadeiras brancas Fugas em riste Uma topada na quina da brisa do céu profundo Detalhe que passou perdido em cometas Em insinuações diletantes de abraços a serem imaginados Beijos não dados Amores não amados Cama vazia sempre E travesseiros solitários Olhava o platô de um onde arvores silenciosas bramiam sutilmente com os ventos Elísios levando filas secas e insetos, cascas mortas, peles mortas, células mortas Um dialogo com o tempo O que diria? Ser e pedra e detalhe de uma alvorada abarrotada de pescadores sonâmbulos Pescando peixes de cristais E desleixos na fuga da terra para o mar Cair e não voltar A queda era um derrame de sombras Fazer o mesmo sentido de copiar e criar Tem aplausos e esnobes para o deleite vago do ego Um furo no tempo e de presente uma dor na cabeça Um remédio pode salvar E o cachorro latir sem parar Para não ser nada é preciso ser antes algo E se quiser duvidar não chegue na hora marcada. Fungar o pescoço enquanto a tempo de ela soltar aquele suspiro profundo que se houve a um dedo de distancia Ela ama Eu amo Mas que nos amamos se esquecemos de como acordar um dia desses ele tentou escrever um dialogo com a morte de cereja cada mordida dela era um dose amarga de cerveja pelo menos aos seus olhos o copo estava gelado e estava mesmo gelado bebeu e desceu para o canto inferior da casa imaginada Tudo era onírico, lembre-se, disse enquanto assoviava o canto dos pássaros gaturamo O choro ao longe da vila O riso largo da menina O frio do céu da esquina O vento soprava E a velha que costurava sempre Disse quando o gato miou Vai chover hoje E o café já esfriou e rio já passou Ela sabia o que dizia E quando falava ria das letras e seus sons na boca do papagaio Era uma graça ver as nuvens indo embora como corredores de violão.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Perdidos no café Falava-se tanto nisso, de forma atordoante, de forma catequética, de forma onde não se dava margem para pensar. Não havia espaço intelectual para o pensamento. O pensar nesse momento era um só, um deslumbre iluminado de decadência. Para que afinal? Tudo se repetia e repetia aparentemente. Nada era diferente entre esses era a mesma questão, como acabar com tudo que trouxe a liberdade. A liberdade nesse reduto de cancros pensares, era uma coisa a ser descartada e deixada de lado era só um acordo grande entre um território e governantes, era desta que se imaginava o lugar de se morar desses cancros e feridas ambulantes. A uns anos atrás eles pensavam de forma humilde e digamos honesta mas nem tanto, afinal não se sabia o que se pensava exatamente, era por causa de um impulso estridente e moderno, soft, que abrangia qualidade de morais que se assomavam com um respeito a todos e que era fundamental, não se pode negar. Mas havia um sentido estranho que era uma parcelada de entendimento, nunca uma clareza somente uma superfície, e isso margeava cantões de concupiscência e moral, era confuso e blasfemo até que se enevoava ao ponto de não se saber o que estava obscuro. Dizer liberdade era para essas mentes, um acordo a se busca em contrato, era como se fossemos escravos e por isso precisava-se um acordo de libertação e de manifestação. Onde isso chegar? Não se sabe. Mas é previsível que suponha um regime de diversas obras de contrato, como se fossem direitos e direitos e mais direitos, até um ápice de compreensão jorrado, em cada detalhe da existência. Era patético, era nebuloso, era confuso, como algo a não ser pensado, o pensamento aqui era nulo, era uma fachada para qualquer ação confusa e prolixa, nesse habitat, os confusos e desordeiros intelectuais ganhavam proeminência ou algum credito para se ouvir, as diversas baboseiras de ideias. Mas ainda assim, tinha algo, um algo estranho para mentes que buscam certezas e algo fundamental para mentes que buscam confusão. Uma concordância ideológica que vagava na tese de que nada era nada e tudo era uma grande farsa. E assim, se fazia palmas e palmas, escritos e escritos, que enchiam cadernos e livros. E nada era nada. Não se extraia muito mas que essa convicção de que tudo precisava acabar em ruina e miséria e violência, uma verdadeira ode ao decrépito, materialista, mundano, sujo, bagunçado, violência, agressão, morte e thanatos. Ainda havia nesse imbróglio, uma nuance e paradoxal interesse em coisas do sexo, da luxuria, da perversão, por que havia aparentemente uma tendência estranha, como tudo nisso era, de que haveria libido da decadência, uma fome, uma ferida, e um prazer. Sexo nos escombros, na sujeira, e feito de forma instantânea, e as vezes também, as pressas, mesmo que ainda houvesse pausa, o mundo estava acabando e era preciso ser rápido também. O café era tomado quente, e com pouco açúcar, e tinha o efeito de causar pânico, ansiedade e angustia para melhor equilibrar as doses de desespero que era solvidas nessas linhas escritas por miseráveis vaidosos.

sábado, 1 de agosto de 2020

Ela me chamava

De grande garoto ela me chamava. Depois de voltar da sala de aula, daquele espaço suado, quente e abafado, depois de horas não aprendendo nada de especial. Nada que pudesse me ser responsável, de passar o tempo olhando e admirando a menina dos meus sonhos, que transitava entre os corredores da escola. E também na sala desfilava deixando todos espertos. Eu calado. Observava com desejo os seus dedos, seus olhos e pernas, busto, peitos, eu queria um dia estar encostado em sua pele macia e alva um dia. Mas não tinha chance. As demandas por ela eram altas, e quem era eu afinal, um rockeiro, que passeava com as menos desejadas, sentimento caridoso e solidário com os menos favorecidos, normal, desejava a paz.

Voltava na tarde, em silencio, amando ninguém. Meus desejos eram secretos, e nada importantes. O que fazer? Tudo era nada, e não tinha valor especial, era só seguir e seguir, crescer e aproveitar.

Alguma coisa acontece quando se fica quieto. Um ela apareceu, uma mulher, grande mulher, formosa, me seduziu, ela queria algo de mim, da minha vida, meu sexo. Ela obteve, mas não foi sem trilha sonora. Cada encontro em casa solitário era uma música tocando alto. Pantera, megadeth, metallica, black sabbath, e outras. Ela não dizia nada, eu também não, só escutava os discos todos enquanto ela me chupava e depois sentava. Era assim na semana, eu chegava atrasado na escola. E protestava no portão da escola fechado depois das uma e meia da tarde. “Ei, abram! Vocês não podem me privar de ensinar eu estava transando!”, poderia ser assim, mas era a ter a parte de eles me privarem.

As semanas passavam e eu continuava chegando atrasado, as vezes nem ia mesmo, perdia as aulas, perdia as provas, enquanto ela me chupava e me pressionava com sua buceta grande, meu pau médio de adolescente segurava ela, ela não se importava, ela gostava de estar num quarto transando e fazendo o que quiser com comigo, éramos solteiros e livres, ela me chamou, e eu não gostava mesmo de estudar numa sala de escola. Era uma ótima forma de ocupar a tarde e o tempo perdido.

Conversávamos também mais pouco. Ela nunca me falava nada de importante além daquilo que ela desejava. Ela esperava a concordância. Eu esperava o prazer, que ela me dava. O que fazer? Nada. Apenas deitar, e esperar, e se deliciar com arte que ela proporciona.

Chegava as quatro horas, ela saia. Ia embora para no dia seguinte voltar. O que queria afinal? Me reprovar? Eu reprovei.

Não sei por que me chamava de grande garoto, eu não gostava, não fazia sentido, eu não era grande, nem pequeno, era um garoto de estatura mediana apenas. Não entendia, mas ficava bem quando ela não falava nada, e falava apenas o essencial, as coisas reais, perguntava como eu queria, eu dizia, chupa meu saco, engole tudo, ela dizia também, me soca, e me bate, morde, e chupa essa buceta, eu fazia, eu gostava, eu suava, nós ficávamos suados, molhados, e íamos para o banheiro, ela era mais alta, tinha peitos grandes, tinha quadris largos, era uma mulher feita, tinha seus 27 anos e eu tinha 15, e o som tocava alto. Ela não se importava e nem eu.

Enquanto eu acertava de estar em sala de aula, nada, tudo ocorria bem, só esperava acabar tudo, para começar mais uma tarde de paixão, me deliciando num corpo de mulher exuberante, um corpo de cor parda. Era interessante, enquanto eu estava por cima dela, os nossos corpos em fusão, ela morena eu branco, entrando e saindo, um aceite e um deixe. Eu pequeno e ela grande abraçados nus a meia luz projetada pela janela com vista para o matagal, o verde reluzia a luz do sol da tarde quando o heavy metal parava, o disco tinha acabado. Olhávamos o teto, em silencio, ela me beijava, eu a beijava. Eu perdia as provas e testes escolares.

Então chegou o fim de ano, eu estava reprovado, não me importava, não fiz nada demais naquela escola, eu fui privilegiado durante várias tardes sem ir à escola. Eu ia para escola, mas não o suficiente para me manter aprovado por causa das faltas, e a falta de pontos para aprovação. Eu disse tudo bem, estávamos todos felizes, eu não havia sido o único reprovado. Mas não reprovei por motivos quais queres, eu abandonei os estudos da escola por uma mulher que se entregava para mim nas tardes da semana.

Por fim ela foi embora. Partiu de barco, sorriu comigo, rimos e nos despedimos, fomos felizes.

O vazio se abriu. E ficou as recordações. As boas memorias das tardes na cama, da agua brilhando com a luz do sol em seu corpo mulher, o matagal que nos esperava no quintal. Os cigarros acesos e as cervejas geladas que tomávamos, comtemplando a natureza. O som de suas ideias reverberando por sua boca, apenas sons desejos e prazeres, sem queixas, sem maldades, apenas o “olhe”, “quer”, “que bom”, palavras singelas que compactuavam com ela.   

A escola se repete Mais uma vez, todo se repete na escola, o tempo, as pessoas, os professores e as professoras. Mas será que se repete mesmo? Tanta coisa mudou no mundo fora da escola, o universo desaba e se remonta, a perplexidade no olhar de quem não vê. Os desejos sendo realizados, e outros se tornando pesadelos. Mas na escola, tudo está intacto, será? Os professores podem ser outros, mas o que deles pode ser verdade nesse mundo cheio de dúvidas que se impõe a realidade dos fatos. Aquele amparo de antes não sustenta mais os contos do passado. As velhas ideias são mesmas velhas? Quando estão sendo repetidas exaustivamente, fazendo se valer a autoridade de um professor carcomida por pensamentos arcaicos sobre os fatores de sobrevivência da existência em sociedade. O estado ainda arroga os detentores do saber não querendo ser, mas o sendo através das carcomidas ideias que digladiem a boa e velha ideia em que somos iguais perante deus e diferentes entre seres. Ainda se persiste na escola com o atraso da inteligência propedêutica que estimula o ensino preguiçoso com bases curriculares comuns que se dizem modernas. O tempo da escola é lento, pelo menos na escola do brasil. Ou de várias escolas, pode se contar nos dedos. O professor se supondo mestre, por que está numa área onde não existe espaço para dúvidas. Eles dizem está escrito, está relatado, está feito, é isso. Não poderia ser diferente esse caminho vergasto e insensível que cria desgostos e sentimento de revolta e decadência. Mas dizem que na escola uns se salvam. Sim se salvam, eles se erguem na solidão, quando não são amparados com pessoas honestas e sinceras que dizem, sigam e não parem na escola, projetem-se além desta realidade vazia, e insana, de opressão por notas, de ódio ao saber, descubra os livros que te proibiram ler, os documentários que de proibiram conhecer, o pensamento da liberdade que não te ensinaram. Esses que são aconselhados e seguem esses conselhos seguem em paz e podem prosperar, já outros também se dão bem, seguindo as regras dos jogos, se esforçando ao máximo para serem peças e engrenagens da manutenção da ordem da escola, mas só que agora na administração dessa ordem que muito deseja a mesma coisa com pouquíssima diferença. Na escola estávamos na cantina esperando o sino tocar. Elas estavam de calça comprida apertada e nos de tênis com cores verdes, azuis, pretos e brancos. Éramos jovens com emoções e desejos que iam além das aulas de química. Não queríamos estudar, as salas lotadas, e os ar condicionados poderiam servi-nos para nos acalmar, nos apascentar, mas não era o que acontecia. O sentimento de frustação ultrapassa meus dedos, e fazia tremer minha angustia, nada que fiz ali era algo importante, eram apenas copias e copias com lapsos de euforia programada quando ocorria a superação de algum teste. Mas existia algo importante sim, e não era o que a escola e seus métodos arcaicos e ideologizados propunham. Fiz outras coisas ao mesmo que admirava o saber distante de mim, seja na figura decadente do professor, seja nas revistas de ciências e livros que adquiria. O universo se abria em toda a sua dimensão e com o mínimo de orientação sobre a existência, o respeito, e ética, segui buscando a paz e a sabedoria. O saber era uma a ferramenta de poder, ler, escrever, pensar, criar acompanhavam minha inteligência e expansão intelectual. Não era o mesmo a cada mês, mas ainda assim dentro da escola eu era. La na escola era a mesma habito, não havia motivação, era apenas as repetições dos receituários. Mas pode pensar que havia coisas dentro das salas relacionadas ao saber que eram fundamentais, claro, o tempo de todo não estava perdido. Havia nas disciplinas o pouco que se pudesse aproveitar. O guia básico do básico do saber, nunca foi suficiente, sempre foi quase nada, passível de ser esquecido no próximo tempo. Era o que chamam de propedêutico. Ou básico do saber. Me pergunto agora por que? Por que tem que ser propedêutico? Por que tem de ser básico, limitado, e sem tempo e com pressa para que tudo esteja arranjado para o calendário. Acabei de escrever um pouco das minhas impressões da escola, no que tange ao ensino limitado, fragmentado, apressado e também desmotivado, como se os professores de fato só fossem cumprir seus horários, bater o cartão. Coitados, não tem culpa, não saberiam como poderia ser diferente. São ordenados a fazer cumprir a promessa de um calendário escolar. Ficam sobrecarregados, e amarrados ao conteúdo, não há estímulos constantes, mesmo que eventualmente ocorra uma emoção pela graça de uma inteligência que concebeu bem o que foi ensinado. O sino batia e a sala fica em polvorosa euforia, e havia também que se mantivesse em sentado, esperando a hora passar, o tempo acabar, o professor chegar. Então o tempo corria para o professor, alguns da sala já haviam se dispersado pelos corredores, outros já estavam em fuga ou escondidos em outras salas ou nos banheiros, esperando o momento oportuno para escapar daquela realidade incomoda que era a sala e o professor e todos aqueles alunos. No mundo fora da escola havia muitas outras coisas para se fazer e aprender, ou mesmo para não fazer nada e somente aproveitar o dia numa passeio na praia ou casa de amigos.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Las Historias - Las Historias (Full Album 2020)



As terras
O que tinha nos olhos eram mares,
verdes, e florestas, terras de uma imagem distorcida e pouco acabada de sonhos
em corredeira de ilusões.
Prescindia os claustros nefastos de
uma época de distantes castelos, a mesma época em que se levantavam nos altos
cumes os mosteiros da separação, da distância da realidade, onde se podia fazer
o mundo a sua maneiro como em belos quadros.
Paisagens que se elucubravam nas
neblinas, travessias por trilhas, onde motos equipadas percorriam velozes
esquecendo o passado por seus motores quentes e barulhentos.
Além das aves que sobrevoam os
desertos verdes, e as grandes arvores e fazendo ninhos em seus topos, dando
minhocas e restos aos seus filhotes, carcaças de bichos, insetos, frutas. E os
ventos ruindo os galhos, soprando entre nos ramos, as vezes com beleza, as
vezes com violência tempestuosa.
E que sopram também nos rios e lagos,
fazendo caminhos entre ai paragens bucólicas, travessias feitas pelos sopros
dos céus, levando nuvens pelo espelho da agua, levando para algum lugar difícil
de imaginar quando se está de cabeça para baixo olhando o espelho do lago.
As montanhas assim no espelho se
mechem, não são as mesmas concretas que conhecemos, elas se desfazem e refazem
novamente, nunca se esquecendo de como eram. No concreto ou no abstrato as
montanhas são montanhas sempre.
As terras desertas abrigam gentes do
deserto, as terras das florestas abrigam gente das florestas, e assim é a
logica para quem vive na cidade e no campo, no esgoto ou nos prédios. Gente e
animais também, ocupando lugares secretos ou revelados pela caminho e trilhas
que se traçam.
Seguem solitários os que sonham por esses
lugares distantes, mas perto em sua ingênua imaginação. Como saber tudo
afinal? Como descobrir que tudo é real se forjaram imagens, expressões em
quadros que levam o ser ao sublime encontro com a contemplação das terras.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

A cultura perdida Nada mais faz sentido Nada? Como nada? Existia algo no nada que um dia fez sentido? Sim, sempre, o nada não é uma ilusão, é uma verdade, um ente na escuridão, o ente no vazio, o nada é uma luz que não ilumina, uma sombra que nas trevas não escurece. O nada era uma razão para seguir preenchendo os espaços. E a cultura? Ela virou nada, um lugar para se abandonar no tempo, um espaço para se esquecer a longo prazo. O ser desfaz a cultura ela se separa e se separa até poder ser nada. E quando ser nada ela deixa de ser cultura e torna-se apenas decadência, ou um passado distante, que pode ser obliterado pelas diversas forças em decadência. Como? Quando uma cultura é criada ela precisa sobreviver as tantas outras que com ela estão no espaço. Uma cultura que se expõe, mas e se adere ao seu tempo e a sua sociedade permanece. Mas a outra cultura resiste na sua manutenção de forma obscura. De forma onde a decadência e o passar se dilatam com a realidade fazendo o sentido de aquilo ser uma função para o nada e para o esquecimento, mesmo que seja ainda entendido. Como isso pode acontecer? A resposta está na importância dada. Tem que pensar no valor que aquilo herda. Se ele herda entendimento e inteligência e não apenas isso, ele herda uma compreensão que torna a sabedoria algo palpável, somado a criatividade da sua espontaneidade ela se regenera e se propõe continua. De outra forma ela é observada como algo para ser abandonado na medida em que outras culturas se apresentam. Quando existe uma persistência na cultura é necessário também que aja uma imagem de sua importância. Uma representação física, abstrata, subjetiva que demonstrem o seu valor histórico para a dimensão da experiência humana. Assim a cultura morre ou sobrevive. Mas e a cultura perdida? Esta é aquela cultura que foi esquecida e que está agora num lugar abandonada. Pode ser qualquer cultura do passado, qualquer arte, qualquer expressão, qualquer mito, lenda, história. A história também é uma cultura e está deveria enlevar as ações e métodos, técnicas e artes do passado, principalmente aquelas culturas da vida humana primitiva, do modo de pensar artesanal, de fazer artesanal não apenas isso, mas sobre tudo aquilo está no passado sendo revisto com saudosismo e esperança, por que as ações humanas e suas invenções seria bom que não fossem esquecidas e sim estimuladas a serem lembradas por que são saberes que compõem história da humanidade.

sábado, 18 de julho de 2020

Liberdade é cara? Não é de graça, é uma escolha, uma opção de decidir o que deve ser feito por livre escolha de boa ou má vontade. A liberdade começa como condição herdada no nascimento, e daí para escolhas que sua vontade ira encaminhar. Mas na infância todos somos dependentes. Mas não exatamente, mesmo nessas condições infantis de nubente da existência ainda assim aprendemos como saber o que ruim a si, coisas que somente a experiência pode proporcionar. Inevitavelmente incorremos em erros, ferimentos, fraturas, dores mentais e físicas, acontecem. Mas nos servem como lições para evitar ou agir de uma forma correta. E são esses mesmos eventos que nos dão demonstração da dureza que a realidade nos proporciona e dependendo das reflexões herdadas pode se controlar o acaso. Assim a natureza nos dita suas regras, somos aconselhados por ela e pela história de nossa sobrevivência herdada por nossos antepassados ou aprendida no decorrer da existência. A liberdade também nos é cara. Aprendemos a respeitar e reconhecer nossos limites. E pensar para agir da melhor forma, ou para evitar piores danos, vivemos para ser livres, sobreviver, e ter prazer, ter paz no caminho. Mas as adversidades também acontecem, e para elas a liberdade para agir com sabedoria ou arcar com as consequências dos equívocos. É preciso atenção, como na infância. A liberdade é cara por que nos foi herdada, mas herdade se nos é intrínseca? É um paradoxo criado por selvagens, é nos necessário também lutar por ela, cantar, escrever, poetizar, argumentar para que ela não seja apenas algo abstrato passível de ser esquecida, que o que fazem aqueles que veem nelas riscos a suas pretensões controladores. Antes de nos tantos outros a conquistaram. E refletiram enquanto um mundo de crimes contra ela era perpetrado, instituições sociais e instituições mitológicas que nos grassavam o desejo de nos expressar e pensar, agir e aprender com sabedoria. E por herdarmos um símbolo da natureza, um sinal que nos motiva a agir com livre e espontânea vontade, e que nos ensina e entender o universo sabendo de suas causas e consequências. Ela se tornou cara, nossas escolhas são caras e podem ser fatais. Seja responsável. Podia ser que fossemos criados sob o manto falso da obediência cega. Mas logo observaríamos a violência e a pomposidade daqueles que mandam, iriamos presenciar a agressão àqueles que se opõem ao controle estabelecido, pessoas que simplesmente desejam ser e ter algo nos seus limites entendidos com outros, pessoas que almejam somente uma causa, a liberdade de terem um lugar, sua propriedade e como defendê-la, e ter também a liberdade de fazer o que se desejar sem ter que violentar ou agredir outros. Para se estabelecer a paz. Inevitavelmente é preciso se armar, não somente com armas físicas, mas com palavras, com ideias realistas bem fundamentadas, bem argumentadas, para que não aja meios para interpretações falseadas da liberdade, como por exemplo, segurança. A verdade é que no âmbito das inteligências humanas, foram forjadas no arroubo das reflexões sobre o indivíduo e a sociedade sentidos que logravam um falso entender de que dependemos estritamente da existência coletiva. E essa percepção filosófica advoga o coletivo imperativo e que abstrai perfeitamente o senso comum sobre as eventualidades que a realidade e suas eventualidades naturais proporcionam. E para melhor fazer se entender por todos foram se elaboradas instituições que consolidassem um valor coletivo através de órgãos que transcendessem o indivíduo para o coletivo. Logrando cartas e selos, símbolos de organizações que respondessem por todos. Ignorando por sua vez as manifestações individuais e particulares das sociedades. Ignorando, vilipendiando qualquer ideia que não estivesse de acordo com o controle do senso comum estabelecido por uma ordem que se auto outorga a melhor para compreender os fatos. Como confia em algo que não está diretamente ligado a causa mas forja suposições limitadas do fato, moldado ao seu bel prazer e ditando regras estritas ao seu círculo a todos e que ignora manifestações individuais de inteligência somente por que são percepções direcionadas por reflexões diferenciadas da proposta comum. É necessário lembrar que é o indivíduo em liberdade que logra uma compreensão da realidade exclusiva do seu entendimento, assim também como é quem forja na natureza caminhos que melhor o liguem a algum campo da inteligência ainda a se conhecer e que é a sociedade que se aproveita desses novos saberes. A sociedade liberta de amarras coletivas é que tende a ser propensa a criar pessoas inteligentes e dispostas para desenvolver, criar, inventar meios para melhor compreensão e ação das atividades humanas. Uma sociedade livre da catequese da submissão coletivista herda aos seus indivíduos motivações para agirem de forma responsável e livre. Assim como também desenvolve nos indivíduos a coragem para enfrentar os riscos que seus desejos impõem. E o ser oprimido mesmo em dificuldade devida a sua condição almeja ser livre para pensar, agir, e buscar alcançar melhoras para sua condição. Barganhando sua inteligência ou agindo em troca de algo bom para si e sua sociedade. Nesta dimensão do saber a prioridade é o indivíduo que por sua vez colabora com seus próximos. Nunca corrente de inteligências que elevam o conhecimento e o saber, que por sua vez proporciona métodos e técnicas para emancipação individual cuja a sociedade ira se beneficiar. A liberdade nos é cara, e somos responsáveis por ela quando coletivos a desejam deteriorada em nome de alguma ideia justiceira. Tempo destruído A frugalidade destrói o tempo e seus monte de coisas sabias, destrói a criação e o tempo da criação. O tempo de desenvolvimento. A frugalidade é aquilo que passa rápido e com significados dispersos e destoantes. Um momento fugaz da existência. Pode ser que aja alguma essência algo interessante. Por exemplo, a dor, muitas pessoas não querem sentir dor constantes e por isso pedem para que a dor passe ou acabe, pedem remédios, pedem métodos para que a dor seja imiscuída, e terminada. Claro, não se trata aqui de pessoas masoquistas que adoram levar umas porradas. Mas a frugalidade é aquela passagem momentânea cheia de êxtase, aquele momento chocante. Mas imagina que houvesse uma droga que te proporcionasse essa adrenalina momentânea, do jeito e da forma como deseja. Já foi pensado isso numa obra clássica, “admirável mundo novo” de Huxley existia a soma. Se você está triste tome soma, se esta preguiçosa, tome soma, tome soma para quando quiser se livrar de ideais ruins, na dúvida tome soma. Assim também é a cultura da velocidade e do frugal. Da aceleração. Do modo de viver a consumir tudo sem pensar. De destruir o pensamento e a reflexão.

sábado, 20 de junho de 2020

A casa de pedra

Ela gosta de beber com amigos, e escrevia também nos bares, adorava o cheiro podre, era escatológico os seus devaneios, um flerte com a escuridão e as luzes pouco iluminadas das ruas úmidas. Era dessa atmosfera que extraia poemas quentes de relacionamentos sujos, de sangue envenenado por entorpecentes carregados de arrepios e acostumados com a violência e a decadência humana.

Admiradores encontravam ela, eram poucos, mas muitos em seu coração, o suficiente para manter sua ordem, sua continua produção literária sobre o absurdo da vida nas ruas escuras e podres da existência.

Um dia encontrou num mesmo bar um outro escritor sujo. Esse era dos herméticos, falava e escrevia em sinais, em símbolos por caminhos abstratos da perspectiva ascendente. Ele via com lagrimas a doença e previa em seus escritos a boa razão da existência aquela mesma que proporcionaria a inteligência a placidez, a não exaltação diante do furo rasgado na memória da calça. Este também carrega um chapéu velho, e tinha dinheiro na carteira, a verdade era que não deveria estar ali, era estrangeiro, e por onde andou ganhou dinheiro, vinha de um outro universo, o universo prazenteiro das relações cordiais.

Ela perguntou por que andas aqui nesse bar imundo se fingindo de sujo como os mendigos. Ele disse que fazia parte da experiência, que não era tudo e que também não era nada. Que o mundo girava e não parava para ver de onde ele havia caído a primeira vez. Ela se irritou, com suas palavras, para ela o universo era a própria decadência e o desfrute era a sua penitencia, quem caminha entre palavras e planta palavras deve reconhecer os lados de cima os do de baixo, e se se atreve a misturar deve sofrer as consequências de um domínio que não pode abraçar.

Ele riu. Perguntou se havia entre as paredes algum rabisco que ao menos representava essa ladainha, e ainda disse que mesmo se houvesse tanto faz, a vida não é o doce clamor perdido da calamidade, é a faina na busca do melhor abrigo, e não a derrota que se diz que os ventos sopram.

Depois disso ela voltou a sua mesa e o deixou isolado tomando sua cerveja. Mas não parou assim. Na sua terceira cerveja de um litro, ele já cantava uma menina de cabelos coloridos, com uma pequena argola no nariz, mas ela não dava muita moral, enquanto ele sorria com o sinal sutil de seus braços moveis. Ele devia pensar, “é possível que nessa noite eu va dormir com ela, se ela não ter ninguém mais para dormir em uma cama”.

Então apareceu novamente a escritora. Que se sentou na mesa com ele novamente, e pagou uma cerveja, dessa vez conversaram amistosamente. Ela disse que não acreditava no mundo bom. Ele disse que o mundo era bom, as pessoas é que estragavam, completou com sua tese sobre o valor e poder da mente explanando que a mente reproduzia ou visualizava aquilo que deseja, era exprimia a ideia na mente daquilo que tinha foco. Ela por outro lado acreditava que tudo o que estava ali na existência era a prova de uma realidade sórdida, de uma condição que poderia se dizer natural e perversa e que as ordens que sustentavam a realidade pró civilidade é que seguravam as pontas, e que por sua vez não deixassem que a realidade se consolidassem completamente sórdida. E que era na noite que os animais selvagens contidos do dia se soltavam, era no escuro das ruas que as pessoas se transformavam, que a realidade sem mascaras vinham à tona. Ele se impressionou com fugacidade da tese dela, em parte era isso que acreditava também, não negava. Mas disse também que nesse estágio que ela chamava de pura realidade era também o puro nada, a ausência da razão e o animalesco sentido do humano, não havia humano civilizado, havia nesse estágio o selvagem a consolidação, e que era exagero pensar que isso era absoluto. Em qualquer era o que se deseja é paz e sossego, e que talvez pessoas fazem o que fazem na escuridão por que tem a segurança das sombras, ao mesmo tempo que primam por sua integridade e identidade.

Ela concordou. Aquela conversa não era um debate para se levantar sobre quem tinha mais razão, ele não representava a luz e ela tão pouco a escuridão. Ambos trafegavam nas sombras, ele durante a luz, ela durante a noite. Da mesma forma, concluiu ele, os absurdos da noite ocorrem durante o dia, existem praças públicas que demonstram isso, havia sempre quem não tinha vergonha de fazer o que se deseja, das mais insanas ações às mais escatológicas.

Ela pediu a ele um poema de improviso, que ele falou no seu ouvido.

A doce mulher que anda

Na escuridão e procura a paz da solidão

Nas ruas escuras

Pouco claras

Sua mente tem desejo de ser toda sanada

Pelas dores do dia

Um descanso numa cama macia

Um amor que a domine na noite

E a deite e ame nos seus pelos

Um gozo sereno em cada entrada

Ela ama o corpo que deita com ela

E aquece os seus sentidos de paixão

Amar um que seja seu sempre

Para cada noite que voltar do dia 

 

Ela gostou do poema, e pediu para subverte-lo, ele riu e assentiu.

 

A doce mulher procurando a paz

Se perdeu na esquina

Encontrou um bar e bebeu solitária

Encontrou um safado que desejou

Ela cedeu e deixou-se levar para as sombras

Nas sombras ela consentiu

Desceu as calças e se abriu

Por traz o falo entrou, ela gemeu

Ele mordeu levemente seu ombro

Ela gemeu.

O gozo durou lá dentro e se espalho por sua vulva

Ela estava melada, e choveu

A noite úmida o corpo pediu mais

O sexo não arrefeceu sua paixão

Ele perdeu

Ela ganhou

Saiu e o deixou. Voltou para mesa

Pediu mais uma cerveja, quis dormir

Alguma outra mulher. A cuidou na casa de pedra.   

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Te olhei

Você estava pelada. Sempre usava calça, meu sonho era esse que estou agora, te ver tirando a calça, te ver tirando sua calcinha, te ver nua.

Demorou muito, anos, mas eu acreditei, talvez numa dessas minhas orações, nas minhas poesias, nos pensamentos, as cordas do cosmo balançaram e levaram minhas ondas até você, deu certo.

Dia e noite eu dormia pensando se veria um dia você de calcinha. Um dia por acaso você mandou um vídeo em que falava, uma voz mansa eu ouvi, um desejo ardente me tomou a consciência, eu queria saber como era ouvir de perto a sua voz. Queria ir além, queria escutar também sua respiração. Quem sabe ouvir seu coração.

Deu certo, me esforcei, aprendi alguma coisa que me levasse, e fiz o que tinha que fazer com o que já sabia. Eu queria você, e isso me motivou, a fazer coisas, a aprender, a esquecer o passado. Quando se deseja muito. Se encontra motivações para mudar, para buscar ser melhor. Para estar o mais próximo possível, o mais antes possível também.

Mas quando não era assim, quero dizer, na busca por você, eu tentava falar contigo, mandava as minhas poesias. Mandava meus desenhos, pedaços da minha vida. Era detalhes do meu desejo, mas não queria parecer louco ou aficionado por seu você, por isso te esquecia, sim, eu te esquecia, mas não completamente. Eu apenas esquecia a sua imagem, para que pudesse um dia ver de novo.

Um dia você me respondeu. Comentou a minha poesia. Eu disse a mim mesmo, fisguei! Mas não, imediatamente, deixei de pensar assim, decidi, não pensar que tinha algo. Havia muitos que também ti escreviam, te adorando também, assim come eu, pessoas desejosas de saber mais sobre você, mas isso não importava, eu escrevia poesias em sua homenagem, agora era a minha musa, o sonho idílico de um ultrarromântico, que bebia com a solidão o desejo de um dia encontrar a sua paixão, a mulher que escolheu amar no universo, criando fantasia e enredos fantásticos de encontros idílicos. Quem sabe um dia. Era um delírio apaixonado.

Mas não passou disso. Me contive, fiquei calmo e esqueci. Não vi mais você. Até um mês depois.

Continua linda e impávida. Deslumbrante. Quem esperava? Ou estava solteira. Algum lugar especial que frequentava. Eu não saia, não conhecia pessoas, me desvencilhei de pessoas excessivas. Não me fazia bem, queria a paz e a solidão. Poucos já me informavam o suficiente sobre tudo aquilo que me interessava. A vida comum, a vida banal, a vida para ser vivida, simples, apreciando a arte a existência, os livros, na minha mão diziam mais que palavras vindas de outros. A internet apresentava pessoas boas, mas que mesmo sendo preferiria que ficassem assim distantes. Quem sabe um encontro ocasional, fortuito encontro cósmico, de acasos e coincidências. Era a mesma coisa com você. Linda e difícil. Uma beleza grega, de deusas, de musas, de sabedoria, romântica como Afrodite, sensual como Afrodite. Era humana, mas era também deusa, eu via assim, as leituras me fizeram pensar assim, no sacro corpo que te cobria, na volúpia e na grandeza de uma deusa sedutora que toma o amante e o leva as alturas e depois de lá o joga. Podia ser assim? Ou podia ser uma mulher com segredos, com uma esfinge luxuosa e sibilar. Tudo como queria, que fosse, mas que trouxesse sob suas roupas sua calcinha de renda. E era o meu desejo final? A consumação.

Um dia te vi. Na vida real. Não, não, não era na imagem da internet. Era você de verdade. Num supermercado, andando no corredor de gelados. Imaginei que procurava iogurte, ou sorvete. Mas você só estava passando e olhando as coisas, na verdade eu lembro, você pegou uma manteiga. Eu ri. O cotidiano era engraço. O banal era cômico no seu silencio trivial. Não pensar, apenas fazer o que deseja, como um autômato. Desculpe, posso parecer esnobe, mas não sou, respeito todos, nas suas trivialidades, as vezes são engraçadas, as vezes são apenas movimentos no espaço, expressões concretas da ação e do desejo. O engraçado em te ver, foi a minha contradição, eu que acreditava você ser uma deusa, não era, era uma mulher linda, na terra, agindo como uma mulher, não estou dizendo que não tinha nada de especial. Era tudo especial, era você ali, próximo de mim, como eu, o universo me trouxe a sua imagem presente naquele lugar. E aquilo era a essencial da existência. A vida sendo vivida, a realização da matéria e da alma. O ser não era virtual. Era o ser humano de prazeres, desejos e fomes.

 

terça-feira, 2 de junho de 2020

perdidos

deixou as armas no chão
e caiu
levantou depois de duas horas
esquecido
não queria mais nada
além de uma cama

queria também um sanduiche de esquina
abandonou o bom senso
encarou com violência o desejo
levou as consequências
o que fazia do homem com fome
tornava explicito a sua agonia
como pedir
o que queria

chorou por que não sabia
mais para onde ia
como ir para casa
se levou tudo perdido na vida
como voltar do nada
se perdeu o que restava

se enganou desde o inicio
o mundo é uma mentira
alguma coisa que repetia
na sua mente
no seu corpo
cicatrizado
será que foi na escola?

pode ser
hoje acorda

foi o que?
seu pai e sua mãe pouco sabiam
nunca os viam
seus amigos pouco sabiam
nunca se tinha um amigo
era tudo rápido
um dia perdido
após outro
um mês
um ano
a vida
fazendo planos
um encanto com as meninas lindas
o que dizer ?

quando leu os livros perdidos
aprendeu
era um poesia
que salvou
nas lagrimas que deixou 
Cara e ostras

Caminhava pelo céu de pedras da tarde
uma luz que leva seu espelho
no arrebol
parecia com velas
mas era um mar sonolento que passava

o vento soprava imagens na mente
a mente vibrava um entusiasmo qualquer
sobre uma alegria qualquer
o tempo
as floresta como fronteira
as folhas como esteiras
e as areias sendo brancas iluminadas pela lua
fazia o caminho ser mais fácil de se chegar

não tinha caminho
era um lugar
onde a agua beijava a praia
o horizonte azul estrelado

e a bola que cruzava de vez e quando
o caminho indo
pulando sem parar
até sumir no espaço
até voar e fazer um giro fantástico

tinha um cheiro de flor e mar
ela era uma miragem distante
um espelho refletindo?
ou a ilusão do anjo feminino
que vinha para me beijar

o mar fazia seu típico som
de mare molhando a praia
marcas de passos
era meus passos no passado
onde eu um dia passei andar
quando me lembrei que não estava lá

minha cara era com um sorriso
as ostras que catei
coletei numa bolsa
nos meus bolsos que carreguei
areia, a mesma areia de um lugar
distante no litoral
nunca mais viria?

como voltei
meus desejos me trouxeram
foram esses poemas que me levaram
com minhas calças molhadas pela agua salgada
e ao longe avistei
a moça
as moças
que nunca tive
que nunca terei
admirei a silhueta
devo admitir eram mulheres da rua
prostitutas belas e encantadas
deixei
só ganhei o leve agrado
o grande sorriso
e o perfume passageiro de seus seios

acordei
com vontade de sonhar

sexta-feira, 29 de maio de 2020

O ICONOCLASTA
 
 
O iconoclasta se afirma quando prova com suas blasfêmias que este ou aquele ídolo não passa de uma besta – e deixa cheio de dúvidas pelo menos um dos que o ouvem. A liberação da mente humana avançou muito quando alguns gaiatos depositaram gatos mortos em santuários e depois saíram pelas ruas espelhando que aquele deus no santuário era uma fraude – provando a todo mundo que a dúvida era uma coisa legítima. Um relincho vale por 10 mil silogismos. 1924

quinta-feira, 28 de maio de 2020


De mãos perdidas

Pareciam unidas as mãos juntas. De mãos atadas, de mãos que apertavam uma a outra, como numa dança antiga. Pareciam certas de que não soltariam.

Mas ao correr do tempo, aquele entusiasmo virou nada, ninguém mais estava, era uma impressão falsa de uma expectativa forjada. O céu continuou o mesmo céu no espaço. E a roda antes feita por mãos unidas se separou, cada qual agora fazia a seu modo a dança querida. Nada os parava, todos assim nessa cirando, estavam separados e independentes.

Foi observado nesse meio tempo de utopia quadros que referiam a um gesto de mãos unidas, mas era só um gesto para um dia, ou dois, ou três, mas não era para sempre.

As mãos precisavam ter mais liberdade. Mas ações. Mas que apenas uniões simuladas com o tempo que na miragem de um terro se iludia.

Elas que ali se juntavam as vezes. Que por vezes também, brindavam a injeção de carne entre as pernas, no vai e vem do falo. Cada uma tinha o seu modo de segurar as mãos. Cada uma tinha o seu modo de ufanar a vara. Elas eram independentes. E sorriam possivelmente com falsidade para que não cria.

Era um momento, um breve momento, uma crença que persistia no tempo, sabe? Aquela ideia de união para a segurança, mas desde a forma veio com um pânico, e histeria, o medo como forma, o medo do horizonte. E a verdade revelada, nada.

O mundo girou sem precisar está de mãos dadas. As vezes as mãos se encontram no baile, mas se separa e seguem com saudade. Eu lembro. Era assim, unir e separar. Separar e unir. De mãos dadas com o tempo, com o vento, a vida. E firmes também.

O pensamento cachorro do brasil

Há brasileiro cretinos, brasileiros desleais, brasileiros que só torcem pelo brasil nas copas do mundo de futebol e esportes e olhe lá.

Brasileiros cretinos sem honra e que só honram seu dinheiro, seus salários, esperam obediência por que recebem do estado, por que são meros funcionários. E são cretinos mentirosos e hipócritas, querem o mal, a destruição, o banal, a dissolução do brasil, não são brasileiros são infiltrados e parias dentro do sistema.

Conjugam mentiras, ou meias verdades, em nome de ideias que execram a liberdade. Querem a desordem não pensam em consequências, são mesquinhos, e falsos moralistas. Essa conduta é muito comum, é muito ordinária é como um produto de fábrica. Espécies assim, canalhas não são difíceis de achar. Estão em toda a parte, se formaram em faculdade, e escolas, claro não dá para generalizar, há quem despertou, quem não mais desonra e agora respeita.

O pensamento cachorro brasileiro, é um pensamento destrutivo de ignorante sem fé, ateu, cretino, sem inteligência, e não mede esforços para sujar, ludibriar, enganar, se enganar, desmerecer, desaprovar, agir de forma corrupta, agir de forma inconsequente. Esse brasileiro cretino, também tem crença, a crença no pior do brasileiro, para esse cretino o brasileiro não pode vencer, não merece o melhor, não pode descobrir o mundo melhor, não deve ter respeito pelo brasil, pela pátria, pela cultura nacional por suas riquezas e valores tradicionais.

Esse cretino brasileiro, não é brasileiro é um ateu, alguém sem fé, sem liberdade, alguém que só pensa no mundo de forma negativa até que suas ideias lhe tornem verdade.

Como tudo na natureza tem uma origem também tem essa espécie de cretino, é um produto de uma concepção história voltada para a barbaridade e a compreensão de um passado destrutivo, e que somente privilegia a o entendimento raso, das circunstâncias históricas, e assim viabiliza uma ideia utópica de justiçamento social como reparação para todas as dores.  Por vias desse pensamento, a uma cíclica ordem de irresponsabilidade, e de caráter político,  o brasil, na mente desses cretinos, nunca vai dá certo, e por não dá certo precisa ser repudiado e injustiçado, e aqueles que creem em esperança, são logos taxados de estúpidos e gentis, ou “pessoas que não leram a história” e que só reproduzem “o passado colonizador”, ou “pessoas ignorantes”, e outras conjugações imbecilizantes, fazendo isso, repetindo ostensivamente esses estereótipos eles formatam outros que não estão sabendo, alinhando outros, fazendo coro de verborragia e estupidez. E assim esses cretinos julgam-se sabedores e inteligentes, egoístas e autocráticos, condenam o brasileiro com fé, por que fé para os cretinos é a arrogância que os mantem.

Outro aspecto dessa cretinice é a paixão por estrangeirismos, por coisas que vem de fora, por objetos, cultura, e estruturas observadas de fora. Um sentimento se subserviência às avessas e estranho, e caótico. Por que esses cretinos além de nutrir aversão a fé do brasileiro comum, estimulam e babam sobre o que é estrangeiro e internacional, ao mesmo tempo que dizem ser a favor de um brasil, que não é o brasil que o brasileiro comum temo como desejo, é um brasil com roupa de internacional. É realmente algo caótico, e merece mais detalhes para compreensão, por ser complexo.

Mas veja, não estou dizendo em ufanismos. Sobre dizer que tudo aqui deve ser honrado, tratasse de uma reflexão sobre a canalhice, e hipocrisia de brasileiros cretinos, que só servem para apetecer o desgosto pela vida, e pela criação brasileira. Tudo tem seu valor, e o valor é herdado por interesse subjetivo, e quando se trata sobre o brasil, até o ufanismo é prejudicial. A ideia não é idolatrar e repudiar o que vem de fora, mas aqui, neste texto, entender o desserviço moral que brasileiros cretinos pregam.

Já sabemos que nações desenvolvidas cresceram com responsabilidade fiscal, menos impostos, e menos regulações. Mais livre mercado. E isso não impediu a esses países deixarem de ser, continuaram sendo, e com a prosperidade, o valor sobre o território aumentou, e com isso a população, mas prospera, conseguiu lucrar e investir, promovendo o comercio, emprego, criatividade, arte, ou seja, nada se perdeu. E o tal pais continuo sendo o que foi e o que é.

Um problema latente entre esses cretinos brasileiro é a estupidez nacionalista, e protecionista. Por isso disse lá em cima que é bem caótico este comportamento. Eles creem que deve haver proteção sobre o produto nacional, mas ao mesmo tempo repudiam o que é nacional, por que tudo aqui fica encarecido justamente por causa da falta de competição e regulação e outras coisas políticas como tributos. O brasileiro cretino, que na sua cretinice excepcional conseguiu entrar sistema do estado, é um funcionário, compra coisas de qualidade, e caras, e até internacionais. Por que simplesmente são melhores do que as daqui por que aqui não tem competição e os produtos não são de boa qualidade justamente por que tem proteção nacional. É complicado.

Assim fica numa onda cíclica de estupidez e desesperança. Lastreando ignorância.

terça-feira, 12 de maio de 2020


Sonhos quebrados

Olhou a janela dos vidros quebrados. Achou belo, achou anormal. Já passava anos desde seu entendimento básico da realidade. Confundir o mundo parecia o certo, escrever errado era comum para sua mentalidade, assim pensava não se confundiria com o mundo, ou com as pessoas.

Não havia decadência em si na realidade das coisas, o que tornava branda, calma, subjacente, intrigante, sua calmaria misturada no olhar, o verbo plácido que sai de sua boca, e até mesmo as oportunidades de viver que o que não vivem, herdou um universo possível.

Quando a loucura se observa, apreciava o caos das vésperas. Da intrigante luta do mundo entre as pessoas. E tinha um lado, um lado seu, o lado da confusa existência programa.

Dizia a outros que será assim até que se aja uma melhora na condução das pessoas. Dizia por alto que só o controle exercido numa engenharia social moldaria o mundo para um melhor proposito. Via o mundo de forma clara. Pelo menos era o que transparecia. A sua aparência.

Quando teve a oportunidade de se inserir num grupo de outros diversos, foi calma e entendida. Da realidade ali erguida entre o grupo, aprendeu que sabia mais que os outros cuja a vida mal conhecia.  Ou sabia de algo que outros não entendia, ou pensava saber, mas se estava ali, era por algo em comum os atraia.

Existia entre os seus interesses, a vontade plástica de se pronunciar em acordo com o que se pensava no momento, a união dos pensamentos os guiavam a um proposito em comum. Era difícil observar isso, por que não se refletia a respeito, não se entendia o mundo. Havia uma força que guiava os pensamentos ao mutismo, o universo não era destrinchado e compreendido, a questão passava por entre as ideias, e não se percebia a separação delas, e que tornou o pensamento medíocre, porém, mas robusto nas ideias do absurdo.

O sonho quebrado era a metáfora do alucinante universo deformado. Era a síntese da violência a razão, parecia deslumbrante e poético, mas era desolação.

A superfície delirante, camuflava a realidade que surgia do descalabro e do obscuro. Na existência, a mentira era uma ordem suprema, a vida não tinha significado tudo podia ser transformado, o mundo havia herdado a esses o poder da transformação, o poder de questionar um universo com uma só história, e o poder de ignorar o pensamento que os trouxe até aquela existência.

Olha com prazer a loucura do mundo, olhar com passividade a ganancia, desde que voltada para interesses do absurdo, e ignorar a vida, e a existência oprimida por sua própria arrogância.   

 Não se pensava nisso, mas todos, estavam ali fazendo jus aquilo que lhes foi ensinado nos longos anos da dissimulação da destruição. A destruição era um escopo para uma transformação mais miserável. Mas destrutiva porem mais florida, como antes. A supressão do pensamento era uma meta entre os que as divulgavam essa plataforma, concisos de que assim seria melhor.

Mas por que, tão bela pessoa, havia assimilado esse conhecimento dissimulado?

O mundo herda ideias, boas e ruins, e ideias são campos do pensamento que exigem reflexões. Se não há reflexão a o impulso, e assim, uma ideia ruim pode parecer boa quando motivada pelo impulso, e da mesma forma o contrário. É preciso então entender a complexidade da existência, onde levam as ideias, o que tornam as boas e ruins, quais as disposições nefandas elas carregam assim como as benéficas, e também como poder freá-las se elas se demonstrarem péssimas.

Acontece que se quando é criado a observara existência apenas por um lado, e ignora na existência os diversos fatores que a compõe, se cria então um universo paralelo e dissonante, e que se alimento apenas do ego. E como são muitos compartilhando dessas ideias, criasse um coro de pessoas que já dissimuladas, herdam as diatribes do absurdo, que como redemoinhos apenas afundam as ideias suprimindo qualquer reflexão que se distancie da realidade da complexidade da existência. Dissimulando a realidade, e criando assim uma plataforma ilusória sobre a existência.

quinta-feira, 7 de maio de 2020


Olho de diamante

O brilho das estrelas do céu noturno, você diria eu já li isso antes, céu noturno, marca da luz, a decadência das estrelas, coisas continuas, e nuas.

O mar tinha pedras onde as ondas batiam e o tempo fez delas duras pedras, cheias de rusgas, distantes, cada vez mais distantes, a vida lá era impossível, mas mesmo assim os lagartos marinhos iam lá acasalar então não era impossível.

O som em marte era um som esquecido, o mesmo som que se ouvia quando batia na orelha o vento, ventava pelo menos, la onde eu ia, onde fui. E o deserto era silencioso se não fosse o barulho, o lufar dos ventos, na terra, nas pedras esquecidas e desoladas. A natureza era o desolamento. Esse era a vida natural. O desolamento perpetuo, e continuo. A sensação de fim iminente. Mas conciso, o fim que não era o fim, o fim que era o proprio presente.

Demorou para criar. Tinha perdido, alguma coisa no caminho, um lápis, uma caneta, um caderno, algum papel. Alguma ideia. Era uma luta interna. Tudo estava lá retumbando com vapores. Com luzes na escuridão, com brilhos e lampejo que esnobavam da alma.

Havia algo na alma, um desejo intenso de transforma o universo. Era possível? Era veemente possível?

A dobra que o planeta da na curva da rotação levava a crer que o sentindo do impossível, era uma imaginação estapafúrdia.

Quanto a passagem na terra, entre os seres de vida humana, o sentimento no pescoço. A angustia, levava o admirar a ignorância que por sua vez conduzia ao tempo e espaço da loucura da existência. O paradoxo assim se instalava. Os olhos de cristais, inexistentes ganhavam forma assim o oximoro. Era possível? Na verdade o impossível era quem mais não dizia que existia, era a petulância de existir seguindo o jogo mortal de prazeres e ilusões. Um grande mal que assola corações é amar sem saber o que é e seguir amando e não amando, até que respostas do tempo sejam prezadas, mas mesmo assim não acontece.

O que acontece é apenas a dor, e o prazer de fazer do objeto da dor, o objeto do prazer, da malfadada ordem de um interesse egoísta de manter até que se apague qualquer sentido que se mostre errôneo. É a contigua insistência ao erro.

Talvez nessa ordem Elemental as leis sejam apenas um discurso de delírios. Onde as formas que se prezam não se supõem, apenas estão. Não se limitam, ou que apenas sejam aquilo que são, sem inserção não mais que suas aparências ignorantes se emanem. E ficam sem mudanças circunspectas, apenas levando como o vento, a violência ocasional, na alma do poeta. Torneando a vida, o desejo, o símbolo de um mar aparentemente sem volta. Apenas sendo o fim em si, com olhos de diamante, ou desertos desolados de marte.     

 

sexta-feira, 1 de maio de 2020

“Os políticos”, observa H. L. Mencken com a sua sagacidade característica,
Raramente, se nunca, são eleitos apenas pelos seus méritos – pelo menos, não em uma democracia. Algumas vezes, sem dúvida, isso acontece, mas apenas por algum tipo de milagre. Eles normalmente são escolhidos por razões bastante distintas, a principal delas sendo simplesmente o poder de impressionar e encantar os intelectualmente destituídos. (...) Será que algum deles se arriscaria a dizer a verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade sobre a real situação do país, tanto em questões internas quanto em questões externas? Algum deles irá se abster de fazer promessas que ele sabe que não poderá cumprir – que nenhum ser humano poderia cumprir? Irá algum deles pronunciar uma palavra, por mais óbvia que seja, que possa alarmar ou alienar a imensa turba de idiotas que se aglomeram ao redor da possibilidade de usufruir uma teta que se torna cada vez mais fina? Resposta: isso pode acontecer nas primeiras semanas do período eleitoral... Mas não após a disputa já ter ganho atenção nacional e quando a briga já estiver séria. (...) Eles todos irão prometer para cada homem, mulher e criança no país tudo aquilo que estes quiserem ouvir. Eles todos sairão percorrendo o país à procura de chances de tornar os ricos pobres, de remediar o irremediável, de socorrer o insocorrível, de organizar o inorganizável, de deflogisticar o indeflogisticável. Todos eles irão curar as imperfeições apenas proferindo palavras contra elas; e pagarão a dívida nacional com um dinheiro que ninguém mais precisará ganhar, pois já estaremos vivendo na abundância. Quando um deles disser que dois mais dois são cinco, algum outro irá provar que são seis, sete e meio, dez, vinte, n. Em suma, eles irão se despir da sua aparência sensata, cândida e sincera e passarão a ser simplesmente candidatos a cargos públicos, empenhados apenas em capturar votos. A essa altura, todos eles já saberão – supondo que até então não sabiam – que, em uma democracia, os votos são conseguidos não ao falar coisas sensatas, mas sim ao falar besteiras; e todos eles dedicar-se-ão a essa faina com vigoroso entusiasmo. A maioria deles, antes de o alvoroço estar terminado, passará realmente a acreditar em sua própria honestidade. O vencedor será aquele que prometer mais com a menor possibilidade de cumprir o mínimo. (H. L. Mencken, A Mencken Chrestomathy [New York: Vintage Books, 1982], pp. 148–151)
escreve La Boétie:
Aquele que os domina tanto (...), na verdade, nada mais tem do que o poder que vocês lhe conferem para destruí-los. De onde ele tira tantos olhos com os quais os espia, a não ser que vocês os coloquem a serviço dele? Como ele possui tantas mãos para golpeá-los, a menos que as tenha tomado de vocês? Os pés com que ele esmaga as suas cidades, de quem ele os obtém, a não ser de vocês? Como ele tem algum poder sobre vocês, exceto através de vocês próprios? Como ele ousaria atacá-los e assaltá-los se não tivesse a colaboração de vocês? O que ele lhes poderia fazer se vocês não fossem os receptadores do ladrão que os saqueia, os cúmplices do assassino que os mata e os traidores de vocês mesmos? Vocês semeiam as suas plantações para que ele possa assolá-las; vocês enriquecem os seus lares com mobílias e afins para que ele possa pilhar os seus bens; vocês criam as suas filhas para que ele possa saciar a sua luxúria e o seu apetite carnal; vocês criam os seus filhos para que ele faça com eles o melhor que puder: levá-los às suas guerras, conduzi-los à carnificina, torná-los servos da sua avidez e instrumentos das suas vinganças; vocês entregam os seus corpos ao trabalho duro para que ele possa desfrutar as suas delícias e chafurdar em seus prazeres nojentos e vis; vocês se enfraquecem a fim de torná-lo mais forte e mais poderoso, possibilitando-lhe conseguir manter a rédea cada vez mais curta.

não há vitória no ramo da miséria

A uma crença letal que paira na atmosfera da filosofia. Uma crença na matéria, um paradoxo que substitui a realidade que abrange o espirito e a razão por emoções vinganças e inveja, e também coisa, objetificação.
Essa crença carcomida e cruenta, condiciona o saber a ideias plásticas, fugazes da existência. Ela guia os interessados ao uma dimensão onde o ar que paira é fingindo e abstrato nas pleuras da ignorância.
O ser que se deixa controlar, não finge mais, ele nesse aspecto inverte a inteligência como quer, ao se desejo contornar para chegar assim, no que imagina ser uma verdade.
A cirurgia que se deixam fazer é embaraçada em diversos ramos da inteligência, podendo escapar quem estar atento a critica a esta ideias plástica da existência. É preciso para isso ser sábio, e admitir falhas e acima de tudo estudar as diversas áreas do conhecimento com profundidade, é preciso ter calma e paciência, pois a medida em que há libertação dessas nocivas ideias, a uma angustia que cresce, e que aborrece por nos fazer saber que fomos enganados.
Esses tipos de ideias, são constantemente recicladas, e repetidas fazem crer que são unanimes, condizentes com a realidade, porem a realidade que se abrange essas ideias é limitada uma escopo anterior do conhecimento, ou seja, ele apenas deslumbra uma fase inicial do saber, mas não a sua totalidade que ela também ignora.
A manutenção dessas ideias levam a discórdia com o universo, e com a criação humana, são excrecências da inteligência limitada, que vorazmente luta contra a sabedoria real da vida.
Subordinam o ser a condição de coisa, de ser sem importância, de ser sem fé e alma, e não apenas isso, condicionam populações inteiras, indivíduos que buscam totalidade na liberdade e na responsabilidade, como também na espiritualidade.
O ser assim se diminui e se dilui, a arbitrariedade de outros já violentados e condicionados. Agora o ser só obedece e não pensa. Apenas segue ordens, apenas pensa o que o comando quer que ele pense, ele esta obediente, ele esta fadado ao controle que exercido em diversos campos do saber. Pensar fora do que lhe foi apresentado desde a infância é ser louco, é ser inimigo da ordem, é não ser nada.
E essas ideias de orquestração primitiva ainda hoje são consumidas. E limitam a inteligência, e subordinam a liberdade e conhecimento as regras.
Podem dizer eles que as coisas não são tão duras como se imaginam, mas a violência dessas ideias ultrapassa a agressão física. A agressão agora é contra a natureza, é uma tentativa de reduzir o ser a nada, de torna-lo objeto de engenharia social sobre controle de comandos coletivos geridos por cérebros doentios e sedentos de orgulho, vaidade, ganancia.