Aqui ficam as humildes reflexões de um filosofo e amante da liberdade. Amante da arte e da poesia. Amante da paz, mas que sabe que vida é uma pedra que rola a montanha, querendo parar.
sábado, 24 de outubro de 2020
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
terça-feira, 20 de outubro de 2020
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
quarta-feira, 7 de outubro de 2020
segunda-feira, 5 de outubro de 2020
segunda-feira, 28 de setembro de 2020
sexta-feira, 25 de setembro de 2020
sábado, 1 de agosto de 2020
Ela me chamava
De grande garoto ela me chamava. Depois de voltar da sala de aula, daquele espaço suado, quente e abafado, depois de horas não aprendendo nada de especial. Nada que pudesse me ser responsável, de passar o tempo olhando e admirando a menina dos meus sonhos, que transitava entre os corredores da escola. E também na sala desfilava deixando todos espertos. Eu calado. Observava com desejo os seus dedos, seus olhos e pernas, busto, peitos, eu queria um dia estar encostado em sua pele macia e alva um dia. Mas não tinha chance. As demandas por ela eram altas, e quem era eu afinal, um rockeiro, que passeava com as menos desejadas, sentimento caridoso e solidário com os menos favorecidos, normal, desejava a paz.
Voltava na tarde, em silencio, amando ninguém. Meus desejos eram secretos, e nada importantes. O que fazer? Tudo era nada, e não tinha valor especial, era só seguir e seguir, crescer e aproveitar.
Alguma coisa acontece quando se fica quieto. Um ela apareceu, uma mulher, grande mulher, formosa, me seduziu, ela queria algo de mim, da minha vida, meu sexo. Ela obteve, mas não foi sem trilha sonora. Cada encontro em casa solitário era uma música tocando alto. Pantera, megadeth, metallica, black sabbath, e outras. Ela não dizia nada, eu também não, só escutava os discos todos enquanto ela me chupava e depois sentava. Era assim na semana, eu chegava atrasado na escola. E protestava no portão da escola fechado depois das uma e meia da tarde. “Ei, abram! Vocês não podem me privar de ensinar eu estava transando!”, poderia ser assim, mas era a ter a parte de eles me privarem.
As semanas passavam e eu continuava chegando atrasado, as vezes nem ia mesmo, perdia as aulas, perdia as provas, enquanto ela me chupava e me pressionava com sua buceta grande, meu pau médio de adolescente segurava ela, ela não se importava, ela gostava de estar num quarto transando e fazendo o que quiser com comigo, éramos solteiros e livres, ela me chamou, e eu não gostava mesmo de estudar numa sala de escola. Era uma ótima forma de ocupar a tarde e o tempo perdido.
Conversávamos também mais pouco. Ela nunca me falava nada de importante além daquilo que ela desejava. Ela esperava a concordância. Eu esperava o prazer, que ela me dava. O que fazer? Nada. Apenas deitar, e esperar, e se deliciar com arte que ela proporciona.
Chegava as quatro horas, ela saia. Ia embora para no dia seguinte voltar. O que queria afinal? Me reprovar? Eu reprovei.
Não sei por que me chamava de grande garoto, eu não gostava, não fazia sentido, eu não era grande, nem pequeno, era um garoto de estatura mediana apenas. Não entendia, mas ficava bem quando ela não falava nada, e falava apenas o essencial, as coisas reais, perguntava como eu queria, eu dizia, chupa meu saco, engole tudo, ela dizia também, me soca, e me bate, morde, e chupa essa buceta, eu fazia, eu gostava, eu suava, nós ficávamos suados, molhados, e íamos para o banheiro, ela era mais alta, tinha peitos grandes, tinha quadris largos, era uma mulher feita, tinha seus 27 anos e eu tinha 15, e o som tocava alto. Ela não se importava e nem eu.
Enquanto eu acertava de estar em sala de aula, nada, tudo ocorria bem, só esperava acabar tudo, para começar mais uma tarde de paixão, me deliciando num corpo de mulher exuberante, um corpo de cor parda. Era interessante, enquanto eu estava por cima dela, os nossos corpos em fusão, ela morena eu branco, entrando e saindo, um aceite e um deixe. Eu pequeno e ela grande abraçados nus a meia luz projetada pela janela com vista para o matagal, o verde reluzia a luz do sol da tarde quando o heavy metal parava, o disco tinha acabado. Olhávamos o teto, em silencio, ela me beijava, eu a beijava. Eu perdia as provas e testes escolares.
Então chegou o fim de ano, eu estava reprovado, não me importava, não fiz nada demais naquela escola, eu fui privilegiado durante várias tardes sem ir à escola. Eu ia para escola, mas não o suficiente para me manter aprovado por causa das faltas, e a falta de pontos para aprovação. Eu disse tudo bem, estávamos todos felizes, eu não havia sido o único reprovado. Mas não reprovei por motivos quais queres, eu abandonei os estudos da escola por uma mulher que se entregava para mim nas tardes da semana.
Por fim ela foi embora. Partiu de barco, sorriu comigo, rimos e nos despedimos, fomos felizes.
O vazio se abriu. E ficou as recordações. As boas memorias das tardes na cama, da agua brilhando com a luz do sol em seu corpo mulher, o matagal que nos esperava no quintal. Os cigarros acesos e as cervejas geladas que tomávamos, comtemplando a natureza. O som de suas ideias reverberando por sua boca, apenas sons desejos e prazeres, sem queixas, sem maldades, apenas o “olhe”, “quer”, “que bom”, palavras singelas que compactuavam com ela.
quinta-feira, 30 de julho de 2020
Las Historias - Las Historias (Full Album 2020)
verdes, e florestas, terras de uma imagem distorcida e pouco acabada de sonhos
em corredeira de ilusões.
uma época de distantes castelos, a mesma época em que se levantavam nos altos
cumes os mosteiros da separação, da distância da realidade, onde se podia fazer
o mundo a sua maneiro como em belos quadros.
neblinas, travessias por trilhas, onde motos equipadas percorriam velozes
esquecendo o passado por seus motores quentes e barulhentos.
desertos verdes, e as grandes arvores e fazendo ninhos em seus topos, dando
minhocas e restos aos seus filhotes, carcaças de bichos, insetos, frutas. E os
ventos ruindo os galhos, soprando entre nos ramos, as vezes com beleza, as
vezes com violência tempestuosa.
fazendo caminhos entre ai paragens bucólicas, travessias feitas pelos sopros
dos céus, levando nuvens pelo espelho da agua, levando para algum lugar difícil
de imaginar quando se está de cabeça para baixo olhando o espelho do lago.
mechem, não são as mesmas concretas que conhecemos, elas se desfazem e refazem
novamente, nunca se esquecendo de como eram. No concreto ou no abstrato as
montanhas são montanhas sempre.
deserto, as terras das florestas abrigam gente das florestas, e assim é a
logica para quem vive na cidade e no campo, no esgoto ou nos prédios. Gente e
animais também, ocupando lugares secretos ou revelados pela caminho e trilhas
que se traçam.
lugares distantes, mas perto em sua ingênua imaginação. Como saber tudo
afinal? Como descobrir que tudo é real se forjaram imagens, expressões em
quadros que levam o ser ao sublime encontro com a contemplação das terras.
quinta-feira, 23 de julho de 2020
domingo, 19 de julho de 2020
sábado, 18 de julho de 2020
sábado, 11 de julho de 2020
sexta-feira, 3 de julho de 2020
sábado, 20 de junho de 2020
A casa de pedra
Ela gosta de beber com amigos, e escrevia também nos bares, adorava o cheiro podre, era escatológico os seus devaneios, um flerte com a escuridão e as luzes pouco iluminadas das ruas úmidas. Era dessa atmosfera que extraia poemas quentes de relacionamentos sujos, de sangue envenenado por entorpecentes carregados de arrepios e acostumados com a violência e a decadência humana.
Admiradores encontravam ela, eram poucos, mas muitos em seu coração, o suficiente para manter sua ordem, sua continua produção literária sobre o absurdo da vida nas ruas escuras e podres da existência.
Um dia encontrou num mesmo bar um outro escritor sujo. Esse era dos herméticos, falava e escrevia em sinais, em símbolos por caminhos abstratos da perspectiva ascendente. Ele via com lagrimas a doença e previa em seus escritos a boa razão da existência aquela mesma que proporcionaria a inteligência a placidez, a não exaltação diante do furo rasgado na memória da calça. Este também carrega um chapéu velho, e tinha dinheiro na carteira, a verdade era que não deveria estar ali, era estrangeiro, e por onde andou ganhou dinheiro, vinha de um outro universo, o universo prazenteiro das relações cordiais.
Ela perguntou por que andas aqui nesse bar imundo se fingindo de sujo como os mendigos. Ele disse que fazia parte da experiência, que não era tudo e que também não era nada. Que o mundo girava e não parava para ver de onde ele havia caído a primeira vez. Ela se irritou, com suas palavras, para ela o universo era a própria decadência e o desfrute era a sua penitencia, quem caminha entre palavras e planta palavras deve reconhecer os lados de cima os do de baixo, e se se atreve a misturar deve sofrer as consequências de um domínio que não pode abraçar.
Ele riu. Perguntou se havia entre as paredes algum rabisco que ao menos representava essa ladainha, e ainda disse que mesmo se houvesse tanto faz, a vida não é o doce clamor perdido da calamidade, é a faina na busca do melhor abrigo, e não a derrota que se diz que os ventos sopram.
Depois disso ela voltou a sua mesa e o deixou isolado tomando sua cerveja. Mas não parou assim. Na sua terceira cerveja de um litro, ele já cantava uma menina de cabelos coloridos, com uma pequena argola no nariz, mas ela não dava muita moral, enquanto ele sorria com o sinal sutil de seus braços moveis. Ele devia pensar, “é possível que nessa noite eu va dormir com ela, se ela não ter ninguém mais para dormir em uma cama”.
Então apareceu novamente a escritora. Que se sentou na mesa com ele novamente, e pagou uma cerveja, dessa vez conversaram amistosamente. Ela disse que não acreditava no mundo bom. Ele disse que o mundo era bom, as pessoas é que estragavam, completou com sua tese sobre o valor e poder da mente explanando que a mente reproduzia ou visualizava aquilo que deseja, era exprimia a ideia na mente daquilo que tinha foco. Ela por outro lado acreditava que tudo o que estava ali na existência era a prova de uma realidade sórdida, de uma condição que poderia se dizer natural e perversa e que as ordens que sustentavam a realidade pró civilidade é que seguravam as pontas, e que por sua vez não deixassem que a realidade se consolidassem completamente sórdida. E que era na noite que os animais selvagens contidos do dia se soltavam, era no escuro das ruas que as pessoas se transformavam, que a realidade sem mascaras vinham à tona. Ele se impressionou com fugacidade da tese dela, em parte era isso que acreditava também, não negava. Mas disse também que nesse estágio que ela chamava de pura realidade era também o puro nada, a ausência da razão e o animalesco sentido do humano, não havia humano civilizado, havia nesse estágio o selvagem a consolidação, e que era exagero pensar que isso era absoluto. Em qualquer era o que se deseja é paz e sossego, e que talvez pessoas fazem o que fazem na escuridão por que tem a segurança das sombras, ao mesmo tempo que primam por sua integridade e identidade.
Ela concordou. Aquela conversa não era um debate para se levantar sobre quem tinha mais razão, ele não representava a luz e ela tão pouco a escuridão. Ambos trafegavam nas sombras, ele durante a luz, ela durante a noite. Da mesma forma, concluiu ele, os absurdos da noite ocorrem durante o dia, existem praças públicas que demonstram isso, havia sempre quem não tinha vergonha de fazer o que se deseja, das mais insanas ações às mais escatológicas.
Ela pediu a ele um poema de improviso, que ele falou no seu ouvido.
A doce mulher que anda
Na escuridão e procura a paz da solidão
Nas ruas escuras
Pouco claras
Sua mente tem desejo de ser toda sanada
Pelas dores do dia
Um descanso numa cama macia
Um amor que a domine na noite
E a deite e ame nos seus pelos
Um gozo sereno em cada entrada
Ela ama o corpo que deita com ela
E aquece os seus sentidos de paixão
Amar um que seja seu sempre
Para cada noite que voltar do dia
Ela gostou do poema, e pediu para subverte-lo, ele riu e assentiu.
A doce mulher procurando a paz
Se perdeu na esquina
Encontrou um bar e bebeu solitária
Encontrou um safado que desejou
Ela cedeu e deixou-se levar para as sombras
Nas sombras ela consentiu
Desceu as calças e se abriu
Por traz o falo entrou, ela gemeu
Ele mordeu levemente seu ombro
Ela gemeu.
O gozo durou lá dentro e se espalho por sua vulva
Ela estava melada, e choveu
A noite úmida o corpo pediu mais
O sexo não arrefeceu sua paixão
Ele perdeu
Ela ganhou
Saiu e o deixou. Voltou para mesa
Pediu mais uma cerveja, quis dormir
Alguma outra mulher. A cuidou na casa de pedra.
sexta-feira, 12 de junho de 2020
Te olhei
Você estava pelada. Sempre usava calça, meu sonho era esse que estou agora, te ver tirando a calça, te ver tirando sua calcinha, te ver nua.
Demorou muito, anos, mas eu acreditei, talvez numa dessas minhas orações, nas minhas poesias, nos pensamentos, as cordas do cosmo balançaram e levaram minhas ondas até você, deu certo.
Dia e noite eu dormia pensando se veria um dia você de calcinha. Um dia por acaso você mandou um vídeo em que falava, uma voz mansa eu ouvi, um desejo ardente me tomou a consciência, eu queria saber como era ouvir de perto a sua voz. Queria ir além, queria escutar também sua respiração. Quem sabe ouvir seu coração.
Deu certo, me esforcei, aprendi alguma coisa que me levasse, e fiz o que tinha que fazer com o que já sabia. Eu queria você, e isso me motivou, a fazer coisas, a aprender, a esquecer o passado. Quando se deseja muito. Se encontra motivações para mudar, para buscar ser melhor. Para estar o mais próximo possível, o mais antes possível também.
Mas quando não era assim, quero dizer, na busca por você, eu tentava falar contigo, mandava as minhas poesias. Mandava meus desenhos, pedaços da minha vida. Era detalhes do meu desejo, mas não queria parecer louco ou aficionado por seu você, por isso te esquecia, sim, eu te esquecia, mas não completamente. Eu apenas esquecia a sua imagem, para que pudesse um dia ver de novo.
Um dia você me respondeu. Comentou a minha poesia. Eu disse a mim mesmo, fisguei! Mas não, imediatamente, deixei de pensar assim, decidi, não pensar que tinha algo. Havia muitos que também ti escreviam, te adorando também, assim come eu, pessoas desejosas de saber mais sobre você, mas isso não importava, eu escrevia poesias em sua homenagem, agora era a minha musa, o sonho idílico de um ultrarromântico, que bebia com a solidão o desejo de um dia encontrar a sua paixão, a mulher que escolheu amar no universo, criando fantasia e enredos fantásticos de encontros idílicos. Quem sabe um dia. Era um delírio apaixonado.
Mas não passou disso. Me contive, fiquei calmo e esqueci. Não vi mais você. Até um mês depois.
Continua linda e impávida. Deslumbrante. Quem esperava? Ou estava solteira. Algum lugar especial que frequentava. Eu não saia, não conhecia pessoas, me desvencilhei de pessoas excessivas. Não me fazia bem, queria a paz e a solidão. Poucos já me informavam o suficiente sobre tudo aquilo que me interessava. A vida comum, a vida banal, a vida para ser vivida, simples, apreciando a arte a existência, os livros, na minha mão diziam mais que palavras vindas de outros. A internet apresentava pessoas boas, mas que mesmo sendo preferiria que ficassem assim distantes. Quem sabe um encontro ocasional, fortuito encontro cósmico, de acasos e coincidências. Era a mesma coisa com você. Linda e difícil. Uma beleza grega, de deusas, de musas, de sabedoria, romântica como Afrodite, sensual como Afrodite. Era humana, mas era também deusa, eu via assim, as leituras me fizeram pensar assim, no sacro corpo que te cobria, na volúpia e na grandeza de uma deusa sedutora que toma o amante e o leva as alturas e depois de lá o joga. Podia ser assim? Ou podia ser uma mulher com segredos, com uma esfinge luxuosa e sibilar. Tudo como queria, que fosse, mas que trouxesse sob suas roupas sua calcinha de renda. E era o meu desejo final? A consumação.
Um dia te vi. Na vida real. Não, não, não era na imagem da internet. Era você de verdade. Num supermercado, andando no corredor de gelados. Imaginei que procurava iogurte, ou sorvete. Mas você só estava passando e olhando as coisas, na verdade eu lembro, você pegou uma manteiga. Eu ri. O cotidiano era engraço. O banal era cômico no seu silencio trivial. Não pensar, apenas fazer o que deseja, como um autômato. Desculpe, posso parecer esnobe, mas não sou, respeito todos, nas suas trivialidades, as vezes são engraçadas, as vezes são apenas movimentos no espaço, expressões concretas da ação e do desejo. O engraçado em te ver, foi a minha contradição, eu que acreditava você ser uma deusa, não era, era uma mulher linda, na terra, agindo como uma mulher, não estou dizendo que não tinha nada de especial. Era tudo especial, era você ali, próximo de mim, como eu, o universo me trouxe a sua imagem presente naquele lugar. E aquilo era a essencial da existência. A vida sendo vivida, a realização da matéria e da alma. O ser não era virtual. Era o ser humano de prazeres, desejos e fomes.
sábado, 6 de junho de 2020
terça-feira, 2 de junho de 2020
sexta-feira, 29 de maio de 2020
O iconoclasta se afirma quando prova com suas blasfêmias que este ou aquele ídolo não passa de uma besta – e deixa cheio de dúvidas pelo menos um dos que o ouvem. A liberação da mente humana avançou muito quando alguns gaiatos depositaram gatos mortos em santuários e depois saíram pelas ruas espelhando que aquele deus no santuário era uma fraude – provando a todo mundo que a dúvida era uma coisa legítima. Um relincho vale por 10 mil silogismos. 1924
quinta-feira, 28 de maio de 2020
sábado, 16 de maio de 2020
quinta-feira, 14 de maio de 2020
terça-feira, 12 de maio de 2020
quinta-feira, 7 de maio de 2020
quarta-feira, 6 de maio de 2020
terça-feira, 5 de maio de 2020
domingo, 3 de maio de 2020
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Raramente, se nunca, são eleitos apenas pelos seus méritos – pelo menos, não em uma democracia. Algumas vezes, sem dúvida, isso acontece, mas apenas por algum tipo de milagre. Eles normalmente são escolhidos por razões bastante distintas, a principal delas sendo simplesmente o poder de impressionar e encantar os intelectualmente destituídos. (...) Será que algum deles se arriscaria a dizer a verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade sobre a real situação do país, tanto em questões internas quanto em questões externas? Algum deles irá se abster de fazer promessas que ele sabe que não poderá cumprir – que nenhum ser humano poderia cumprir? Irá algum deles pronunciar uma palavra, por mais óbvia que seja, que possa alarmar ou alienar a imensa turba de idiotas que se aglomeram ao redor da possibilidade de usufruir uma teta que se torna cada vez mais fina? Resposta: isso pode acontecer nas primeiras semanas do período eleitoral... Mas não após a disputa já ter ganho atenção nacional e quando a briga já estiver séria. (...) Eles todos irão prometer para cada homem, mulher e criança no país tudo aquilo que estes quiserem ouvir. Eles todos sairão percorrendo o país à procura de chances de tornar os ricos pobres, de remediar o irremediável, de socorrer o insocorrível, de organizar o inorganizável, de deflogisticar o indeflogisticável. Todos eles irão curar as imperfeições apenas proferindo palavras contra elas; e pagarão a dívida nacional com um dinheiro que ninguém mais precisará ganhar, pois já estaremos vivendo na abundância. Quando um deles disser que dois mais dois são cinco, algum outro irá provar que são seis, sete e meio, dez, vinte, n. Em suma, eles irão se despir da sua aparência sensata, cândida e sincera e passarão a ser simplesmente candidatos a cargos públicos, empenhados apenas em capturar votos. A essa altura, todos eles já saberão – supondo que até então não sabiam – que, em uma democracia, os votos são conseguidos não ao falar coisas sensatas, mas sim ao falar besteiras; e todos eles dedicar-se-ão a essa faina com vigoroso entusiasmo. A maioria deles, antes de o alvoroço estar terminado, passará realmente a acreditar em sua própria honestidade. O vencedor será aquele que prometer mais com a menor possibilidade de cumprir o mínimo. (H. L. Mencken, A Mencken Chrestomathy [New York: Vintage Books, 1982], pp. 148–151)
Aquele que os domina tanto (...), na verdade, nada mais tem do que o poder que vocês lhe conferem para destruí-los. De onde ele tira tantos olhos com os quais os espia, a não ser que vocês os coloquem a serviço dele? Como ele possui tantas mãos para golpeá-los, a menos que as tenha tomado de vocês? Os pés com que ele esmaga as suas cidades, de quem ele os obtém, a não ser de vocês? Como ele tem algum poder sobre vocês, exceto através de vocês próprios? Como ele ousaria atacá-los e assaltá-los se não tivesse a colaboração de vocês? O que ele lhes poderia fazer se vocês não fossem os receptadores do ladrão que os saqueia, os cúmplices do assassino que os mata e os traidores de vocês mesmos? Vocês semeiam as suas plantações para que ele possa assolá-las; vocês enriquecem os seus lares com mobílias e afins para que ele possa pilhar os seus bens; vocês criam as suas filhas para que ele possa saciar a sua luxúria e o seu apetite carnal; vocês criam os seus filhos para que ele faça com eles o melhor que puder: levá-los às suas guerras, conduzi-los à carnificina, torná-los servos da sua avidez e instrumentos das suas vinganças; vocês entregam os seus corpos ao trabalho duro para que ele possa desfrutar as suas delícias e chafurdar em seus prazeres nojentos e vis; vocês se enfraquecem a fim de torná-lo mais forte e mais poderoso, possibilitando-lhe conseguir manter a rédea cada vez mais curta.
